
Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que os projetos de hidrogênio verde no Brasil somam R$ 188,7 bilhões em investimentos. Desses, R$ 77,3 bilhões, ou seis projetos, deverão ter a decisão final de investimento tomada neste ano, segundo a Associação Brasileira do Hidrogênio Verde (ABIHV). Dois são localizados no Ceará, Porto do Pecém.
O que acontece:
- A Casa dos Ventos planeja investir US$ 8,4 bilhões em uma planta de hidrogênio verde no Pecém. A novidade é que a decisão final de investimento deve sair até o final de 2025 ou início de 2026, com previsão de início das obras logo após a aprovação. Antes, o cronograma previa início das obras em 2025.
- A Fortescue, empresa australiana, projeta injetar R$ 20 bilhões na região, com definição do investimento também esperada para 2025. Caso seja aprovada, a construção da planta deve começar já em 2026.
Por que importa:
O Ceará reúne vantagens estratégicas para a produção de hidrogênio verde, como infraestrutura portuária e oferta competitiva de energia renovável. Os cronogramas das empresas indicam que o Pecém pode começar a se transformar em um polo industrial do setor já nos próximos anos.
Casa dos Ventos: prazo mais conservador
Inicialmente, o projeto da Casa dos Ventos previa início das obras em 2025 e operação em 2027. Agora, a empresa trabalha com um cronograma mais estendido, porém ainda dentro de uma janela que garante competitividade global.
📢 “Não diria que houve um atraso. Ali (em 2023), o momento de incerteza era maior. Agora, amadurecemos e entendemos o projeto. Temos um plano definido e estamos discutindo com bancos o financiamento”, diz Lucas Araripe, diretor-executivo da empresa (Estadão).
A TotalEnergies, acionista da companhia, quer garantir a competitividade do projeto em nível global. “O grupo tem acesso a projetos em todo o mundo. Eles consomem hidrogênio e já assinaram dois contratos de compra”, afirma Araripe. O Brasil aposta nos baixos custos da energia solar e eólica para atrair investimentos.
Fortescue reforça estudos no Pecém
A australiana Fortescue também avança nos estudos para confirmar a viabilidade econômica, social e ambiental do projeto no Ceará.
📢 “O cronograma do projeto é considerado estratégico e, por isso, a empresa não pode detalhá-lo”, afirmou Luis Viga, gerente da empresa no Brasil (Estadão).
A Fortescue foca na infraestrutura industrial, captação de água e modelos de armazenamento e distribuição da energia renovável necessária para a planta. Caso a decisão de investimento seja positiva, a construção da unidade pode se iniciar já no primeiro semestre de 2026.
🔎 O que observar:
Caso esses dois empreendimentos de grande porte se cncretizm, o Porto do Pecém se consolidará como um dos principais hubs do hidrogênio verde no Brasil, com potencial para atrair novos investimentos e exportações. O avanço na definição das datas para início das obras nã deixa de ser um indictivo positivo.