Nem só de idéias são feitas as cabeças dos revolucionários; Por Paulo Elpídio

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“Assim, torna-se de vital importância para o Estado usar todos os seus poderes para reprimir a dissidência. A verdade é o maior inimigo do Estado”. Bytverk Randal sobre Joseph Goebbels [Arquivo de Propaganda Germânica, 2008]

O socialismo na sua versão bolchevique criou a sua própria “rede social”.

O Kominterm foi seguramente a arma de persuasão mais eficiente de que se serviu Trotsky para a união das “esquerdas” em todo o mundo.

O Kominform revestia as características de organização internacional para a unificação dos partidos comunistas em todo o mundo. Congressos de escritores mundo afora, a descoberta da juventude, em jogos e excursões. Livros publicados a baixo custo nas línguas mais difundidas e lidas no planeta. O cinema de propaganda, o teatro… O partido comunista.

Como se sabe. a mídia imagética em meio eletrônico viria muito depois. Criaram-se, com os meios disponíveis à época, uma “rede social” sem os artifícios poderosos da web atual, porém de extraordinário alcance. O Estado serviu-se desse aparato gerador de “realidades úteis” e neles aprisionou intelectuais e opiniólogos orgânicos de geande serventia.

O dinheiro que sustentava todo esse empreendimento era chamado ironicamente de “ouro de Moscou”. Ouro porque retirado de reservas e fundos formados pelo oro das jazidas do Cáucaso ou da Sibéria, que serviam de lastro monetário à URSS.

Essa foi a rede de mídia (cinema, rádio, teatro e imprensa escrita…) de que Stálin se serviu para conquistar e influenciar intelectuais, as universidades e o povo.

A autoridade e o arbítrio sempre serviram-se desses meios de sedução e convencimento. Não esperaram por Steve Jobs nem por Musk para acontecer.

Deste lado do planeta, projetos de títeres e ditadores foram construídos pelas redes de convencimento do Estado. O Estado tem as suas forças políticas extraídas das entranhas das ideologias adotadas.

A mídia, na medida que se foram sofisticando os seus mecanismos de difusão e propaganda, transformou-se em um instrumento valioso a serviço dos governos e das novas ideologias anunciadas.

Pena que a “New Yorker”, outrora respeitada pelo rigor editorial de que se servia, acolha, nestes tempos difíceis, entrevistas carecidas de coerência, fundamentação e conteúdo — e lhes dê o espaço que lhes falta em formulação intelectual.

Fui leitor contumaz de “New Yorker”, assinante fiel em edição impressa, quando era comum o contraponto entre pessoas de ideias nem sempre convergentes. Alguns amigos fizeram-se leitores de “The Atlantic” e naquele nicho de conservadores cultivados resistiam à vivacidade da revista ”New Yorker”. Enquanto os conceitos e os preconceitos eram os mesmos, foi uma revista “conservadora e apartidária”. Hoje não se sabe como se acomoda entre a geração “woke” e este lugar comum que passou a chamar-se “democracia”.

A entrevista do juiz brasileiro Moraes sobre democracia e liberdade de expressão bem caberia no “The Atlantic”. Fica meio mal-sentada no “New Yorker”, joelhos à mostra e ideias desajustadas… O pouco de humor que exala do texto mostra as limitações dos recursos de oralidade posta à prova.

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