Focus Colloquium: Acrísio Sena e o futuro do PT “que não cabe num só dono”

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Em entrevista exclusiva ao Focus Colloquium, conduzida pelo jornalista Fábio Campos, o deputado estadual Acrísio Sena fala sobre os bastidores da eleição interna do PT Fortaleza, seus impactos na reorganização do partido e as projeções para 2026. A conversa foi gravada logo após a vitória de Professor Antônio Carlos, que venceu com 78% dos votos em Fortaleza e confirmou a força do novo campo popular articulado em torno de Elmano de Freitas, Camilo Santana e Evandro Leitão.

🎙️ Acrísio Sena: O PT muda de pele no Ceará
Fortaleza — O PT de Fortaleza deu no fim de semana um recado claro sobre o rumo que quer tomar: Professor Antônio Carlos venceu a disputa interna com 78% dos votos e confirmou a força do novo campo popular, articulado em torno de Elmano de Freitas, Camilo Santana e Evandro Leitão.

A base de filiados é grande — mais de 40 mil na capital — mas só 7.806 votaram, número que Acrísio Sena, deputado estadual, vê como alerta para atualizar cadastros e medir o tamanho real da militância. “O PT vive o ‘milagre das filiações’, mas sem base real a identidade do partido corre risco de diluição”, dispara.

🧭 Luizianne enfraquece
A disputa interna mostrou quem perde e quem cresce. A ex-prefeita Luizianne Lins, que já controlou o PT de Fortaleza por mais de duas décadas, saiu das urnas com apenas 20% dos votos. Para Acrísio, faltou leitura política e articulação. “Na política não tem vácuo. Quem não ocupa, perde”, diz.

A derrota enterra, segundo ele, o projeto de retomada de Luizianne na capital. “Se não fosse a mudança para Evandro Leitão, teríamos perdido de novo”, avalia. O grupo de Guimarães, que já teve maioria folgada, também passa a ter que negociar.

⚙️ Elmano: popularidade em alta
A liderança de Elmano de Freitas se fortalece. Acrísio diz que o governador tem hoje maior aprovação do que Lula no Ceará — 60% contra 48%. O segredo, resume, está nas entregas concretas: escolas, creches, hospitais regionais e programas de combate à extrema pobreza. “Enquanto falta articulação em Brasília, aqui o governo faz entrega toda semana.”

Essa presença constante ajudou a criar o campo popular, que agora se contrapõe ao domínio histórico de Guimarães. “Hoje temos um PT mais equilibrado, mais plural”, resume Acrísio.

🗳️ 2026: o que é intocável
Para a próxima disputa, o recado é direto: Lula e Elmano são inegociáveis. Todo o resto da chapa pode ser montado conforme as alianças. No Senado, Acrísio defende Cid Gomes como peça que garante estabilidade política. Sobre Guimarães, o tom é realista: maioria interna não garante maioria na rua. “O PT tem maioria dentro, mas não pode achar que é maioria fora.”

🕸️ O alerta: articulação e redes
Na conversa, Acrísio aponta falhas graves na articulação nacional do partido — a derrubada do veto do IOF no Congresso seria a prova disso — e defende uma virada urgente para o mundo digital. “O pé nas ruas está fraco, mas temos que ter pé firme nas redes”, resume.

🗺️ Extrema-direita e lição histórica
A ascensão de forças conservadoras também entra no radar. Para Acrísio, a extrema-direita empobreceu o Parlamento, sequestrou o debate público para pautas de costumes e trava avanços reais. Ele defende uma nova estratégia: uma ‘internacional democrática’ para reagir a esse avanço global.

✅ Frase final
“Não pode ser tudo nosso. É dividir para governar. É assim que a gente se mantém forte e faz o que interessa: entregar resultado.”

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