
Comércio exterior: Entra em vigor nesta sexta-feira (1º) o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, abrindo uma nova etapa nas relações comerciais entre os blocos e ampliando o acesso de produtos brasileiros ao mercado europeu.
Segundo estimativas da Confederação Nacional da Indústria, mais de 80% dos produtos exportados pelo Brasil para a Europa passam a contar com tarifa de importação zerada nesta fase inicial. A mudança reduz custos de entrada e aumenta a competitividade das empresas brasileiras frente a concorrentes internacionais.
Mercado ampliado: O tratado cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, conectando um mercado superior a 700 milhões de consumidores. A expectativa é de que mais de 5 mil produtos brasileiros passem a ter acesso facilitado ao bloco europeu, abrangendo setores industriais, agrícolas e matérias-primas.
Produtos beneficiados: Entre os 2.932 itens que terão tarifa eliminada imediatamente, cerca de 93% correspondem a bens industriais. Os demais incluem alimentos e insumos básicos. A redução tarifária tende a beneficiar principalmente a indústria nacional, que passa a operar em condições mais competitivas em um mercado de alta exigência técnica.
Setores favorecidos: Máquinas e equipamentos concentram a maior parcela de produtos contemplados, respondendo por 21,8% das mercadorias com tarifa reduzida. Em seguida aparecem alimentos (12,5%), metalurgia (9,1%), máquinas e materiais elétricos (8,9%) e produtos químicos (8,1%).
Indústria: No segmento de máquinas e equipamentos, aproximadamente 96% das exportações brasileiras destinadas à Europa passam a entrar sem imposto de importação. O grupo inclui compressores, bombas industriais, componentes mecânicos e equipamentos utilizados em diferentes cadeias produtivas.
O acordo também amplia a participação brasileira em mercados cobertos por tratados comerciais. Atualmente, países com acordos firmados pelo Brasil representam cerca de 9% das importações globais. Com a inclusão da União Europeia, esse alcance pode superar 37%.
Regras e previsibilidade: Além da redução de tarifas, o tratado estabelece normas relacionadas a comércio, compras governamentais, padrões técnicos e procedimentos regulatórios, oferecendo maior previsibilidade para exportadores e investidores.
Implementação gradual: Nem todos os produtos terão redução integral imediata. Mercadorias consideradas sensíveis terão prazos de adaptação, com cronogramas que variam entre 10 anos na União Europeia e até 15 anos no Mercosul. Em alguns setores ligados a novas tecnologias, o período pode chegar a 30 anos.
Próximos passos: A entrada em vigor marca o início da implementação do acordo. O governo brasileiro ainda deverá regulamentar pontos específicos, como a distribuição de cotas de exportação entre os países do bloco sul-americano.






