Plataformas terão de remover vídeos de maus-tratos a animais, decide Justiça do Ceará

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Justiça. Foto: Reprodução.

Por que isso importa

Uma decisão liminar da Vara Estadual do Meio Ambiente do Ceará, publicada hoje 01, determinou que plataformas digitais adotem medidas imediatas para remover conteúdos que promovam, incentivem ou divulguem maus-tratos, crueldade e morte de animais. A decisão também impõe a criação de mecanismos preventivos para impedir a circulação de novos materiais dessa natureza, ampliando o dever de cuidado das empresas no ambiente digital.

Vá mais fundo

A liminar foi proferida pelo juiz Edson Feitosa dos Santos Filho, da Vara Estadual do Meio Ambiente (VEMA), em Ação Civil Pública ajuizada por entidades de proteção animal (Anjos da proteção animal – apa, Associação Brasileira dos Defensores dos Direitos e Bem-Estar dos Animais e Anjos da Proteção Animal – APA, Associação Brasileira dos Defensores dos Direitos e Bem-Estar dos Animais e Organização Não Governamental Deixa Viver)  contra plataformas como TikTok, Google, Reddit, Twitch, Discord, Telegram e 4chan. As autoras sustentam que esses ambientes digitais vêm sendo utilizados para transmitir, compartilhar e estimular crimes de maus-tratos contra animais, citando como exemplo a investigação que levou à prisão, em Fortaleza, de um jovem suspeito de matar mais de 100 animais e divulgar os atos pela internet.

Na decisão, o magistrado reconhece que há indícios de uma falha sistêmica na prevenção da circulação de conteúdos manifestamente ilícitos, ressaltando que a Constituição Federal impõe ao Poder Público e à coletividade o dever de proteger a fauna e proíbe práticas que submetam animais à crueldade. Para fundamentar a liminar, o juiz também cita precedentes do Supremo Tribunal Federal que consolidaram a proteção constitucional dos animais e o recente julgamento que redefiniu a responsabilidade das plataformas digitais pelo conteúdo de terceiros.

Embora determine a adoção de mecanismos proativos de filtragem, a decisão esclarece que não exige monitoramento prévio e irrestrito de todas as publicações dos usuários. O entendimento é de que as empresas devem implementar medidas técnicas razoáveis e proporcionais para identificar, interromper e remover conteúdos relacionados à tortura, mutilação, crueldade e morte de animais, especialmente quando detectados pelos próprios sistemas de moderação ou após denúncias.

A liminar estabelece duas obrigações principais às plataformas:

  • remover imediatamente conteúdos que promovam, incentivem, transmitam ou divulguem maus-tratos, crueldade ou morte de animais;
  • apresentar, em até 15 dias, um plano detalhado de implementação de mecanismos preventivos para impedir a publicação de novos conteúdos dessa natureza.

O descumprimento poderá gerar multa diária de R$ 1.000 para cada plataforma, limitada inicialmente a 30 dias, com os valores destinados ao Fundo Estadual do Meio Ambiente (FEMA).

A decisão tem caráter provisório e ainda será submetida ao contraditório, com a citação das empresas para apresentação de defesa. O Ministério Público do Estado do Ceará também foi intimado para atuar como fiscal da ordem jurídica no processo.

Impacto

A liminar sinaliza uma tendência de fortalecimento da responsabilização das plataformas digitais quando houver falhas na prevenção da disseminação de conteúdos ilícitos graves. O entendimento aproxima a proteção ambiental e dos direitos dos animais da evolução recente da jurisprudência sobre responsabilidade das empresas de tecnologia, reforçando que a exploração econômica de grandes ambientes digitais também impõe deveres de diligência na moderação de conteúdos.

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