Jogando na defesa e no ataque, Romeu Aldigueri se torna referência no enfrentamento com a oposição

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Na política cearense, poucas funções
mudaram tanto de perfil quanto a presidência da Assembleia Legislativa. Tradicionalmente, o cargo exige equilíbrio institucional, capacidade de mediação e discrição. Romeu Aldigueri (PSB) preserva esses atributos dentro da Alece. Fora dela, porém, escolheu outro papel: referência como um jogador que assume diversos papéis no campo política, desde a defesa ao ataque.

É uma mudança de estratégia. Enquanto o governador Elmano de Freitas mantém um discurso predominantemente administrativo e o ministro Camilo Santana segue exercendo a política pela articulação e pelo diálogo, Aldigueri assumiu a missão de enfrentar a oposição no campo da narrativa. Não por acaso, os ataques mais duros às movimentações oposicionistas têm partido da presidência da Assembleia.

O roteiro se repetiu diversas vezes
Quando o PSDB ingressou na Justiça Eleitoral questionando agendas do governador Elmano, Romeu reagiu imediatamente. Classificou a iniciativa como “desespero da oposição”, afirmando que as inaugurações eram atos institucionais e não eleitorais.

Na mesma entrevista, elevou ainda mais o tom ao comentar as caravanas realizadas por Ciro Gomes pelo interior.

“Foram a São Gonçalo, foi um fiasco; foram a Icaraí de Amontada, passaram vergonha; foram a Marco, tinha só 50 pessoas.”

Dias antes, ao analisar uma possível aproximação entre grupos ligados ao PSDB e ao bolsonarismo, cunhou uma expressão que rapidamente entrou no vocabulário político do Estado:

“É a união do ódio com o ócio.”

Em outra oportunidade, ao avaliar o momento da oposição, voltou a recorrer à ironia.

“O café da oposição já está gelado.”

Na mesma entrevista, fez uma referência direta ao desempenho eleitoral de Roberto Cláudio.

“A resposta foi dada nas urnas… ficou num mísero terceiro lugar, com 14% dos votos.”

As frases não parecem improvisadas. Formam um padrão. Aldigueri deixou de responder apenas quando provocado. Passou a antecipar o debate político e a ocupar, voluntariamente, o espaço de enfrentamento.

Não era o que se imaginava quando foi eleito
Sua chegada à presidência da Alece foi resultado de uma delicada negociação dentro da própria base. Camilo Santana defendia que o comando da Casa pudesse ficar com um parlamentar mais identificado com seu grupo político. Cid Gomes sustentava outra tese: independentemente do nome, a presidência deveria permanecer com o partido da maior bancada governista — então o PDT, hoje o PSB.

A divergência ganhou intensidade. Cid chegou a sinalizar que deixar a maior bancada sem o comando da Assembleia poderia comprometer sua permanência na base governista. O governo recuou. Aceitou preservar o critério partidário defendido por Cid, mas o escolhido acabou sendo Romeu Aldigueri, um nome que representava um ponto de equilíbrio entre as diferentes correntes da base.

Passado esse período, um aspecto chama atenção
Na prática, Romeu tem demonstrado forte alinhamento político com a liderança de Cid Gomes. Sua atuação pública, especialmente na defesa do governo Elmano e nos ataques à oposição, dialoga diretamente com a estratégia do grupo governista. Não significa ausência de autonomia institucional. Dentro da Assembleia, Aldigueri continua mantendo canais de diálogo com a oposição, negociou alterações no Código de Ética e ampliou espaços para debate em plenário. Mas, no ambiente externo, assumiu uma função que poucos presidentes da Alece exerceram com tanta intensidade.

Quando a oposição sobe o tom, é frequentemente Romeu quem responde. Quando surgem judicializações contra o governo, é Romeu quem rebate. Quando há disputa de narrativa, é Romeu quem ocupa o microfone. O Focus Poder já havia apontado, na série Protagonistas, que Aldigueri possuía um perfil político que poderia extrapolar a função administrativa da presidência da Assembleia. Os fatos recentes reforçam essa percepção.

Hoje, ele não é apenas o chefe do Poder Legislativo estadual. Consolidou-se como uma das vozes mais combativas — talvez a mais combativa — do governismo cearense, exercendo, por delegação ou por vocação, o papel de principal defensor político da base liderada por Elmano de Freitas, Camilo Santana e Cid Gomes.

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