Por que importa: O senador Camilo Santana (PT-CE) avalia que propostas consideradas prioritárias, como a redução da jornada de trabalho 6×1 e a PEC da Segurança, dificilmente serão votadas pelo Senado antes do recesso parlamentar. Para ele, o avanço dessas pautas depende da retomada do diálogo entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
O cenário:
Camilo afirma que Alcolumbre tem condicionado a votação de temas relevantes a uma conversa prévia com Lula.
O recesso parlamentar deve começar em 16 de julho, reduzindo a janela para deliberações.
Nos bastidores: O senador cearense diz atuar como interlocutor para reconstruir a relação entre Lula e Alcolumbre, desgastada após a articulação que levou à rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF).
“Tenho tentado ajudar nisso. Falei várias vezes com o presidente Lula. Hoje mesmo toquei nesse assunto. Acho que agora é o momento de sentar e conversar”, afirmou Camilo ao PlatôBR.
A leitura de Camilo: Segundo o senador, Alcolumbre tem demonstrado incômodo com a pressão simultânea de governo e oposição. Apesar do episódio envolvendo Jorge Messias, Camilo ressalta que o presidente do Senado conduziu a votação das principais matérias de interesse do Executivo ao longo do atual governo.
Outro foco de tensão: Camilo também criticou declarações do líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), que afirmou que Alcolumbre poderá ser visto como “inimigo dos trabalhadores” caso não coloque a proposta da jornada 6×1 em votação.
“Não é o meu estilo. Acho que isso tensiona mais ainda a relação”, disse o senador.
Vá mais fundo: A avaliação de Camilo evidencia que, neste momento, o principal obstáculo para a tramitação das pautas prioritárias do governo no Senado é menos o mérito das propostas e mais a recomposição da relação política entre o Palácio do Planalto e a presidência da Casa. Sem esse entendimento, a expectativa é de que temas como a jornada 6×1 fiquem para o segundo semestre.







