Governo mira fintechs ligadas à jogatina das bets ilegais e endurece combate ao mercado clandestino

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Por que importa: O governo federal ampliou a ofensiva contra as apostas ilegais no Brasil. Trinta e sete fintechs foram notificadas por suspeita de movimentar recursos de casas de apostas sem autorização, enquanto mais de 54 mil sites irregulares já foram retirados do ar.

O alvo:

37 fintechs notificadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) e pela Receita Federal.
As empresas precisam interromper imediatamente as operações financeiras com bets ilegais.
Se descumprirem a determinação, poderão responder solidariamente pelas irregularidades e pagar multas proporcionais aos valores movimentados.

Como funciona: A medida tem respaldo em decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em junho, que criou mecanismos para bloquear recursos financeiros de operadores ilegais, inspirados em instrumentos utilizados no combate ao crime organizado.

Prazo: O governo concedeu às instituições financeiras até o fim de agosto para se adequar às novas regras. Após esse período:

notificações poderão vir acompanhadas de bloqueio de recursos;
o Ministério da Justiça abrirá processos para apurar eventual descumprimento das determinações.

Os números do mercado:

O governo estima que 41% a 51% das plataformas de apostas em operação no país sejam ilegais.
Aproximadamente 25,2 milhões de brasileiros utilizam serviços de apostas.
Cinco empresas clandestinas encerraram suas atividades logo após a publicação do novo decreto.

O que diferencia uma bet legal:

Licença concedida pelo Ministério da Fazenda.
Pagamento de R$ 30 milhões pela autorização.
Sede no Brasil.
Reserva financeira mínima de R$ 5 milhões para garantir o pagamento dos prêmios.
Utilização do domínio “.bet”.
Tributação de 12% sobre o lucro líquido.
Obrigação de adotar mecanismos de jogo responsável, como sistemas de autoexclusão e alertas contra o vício.

Enquanto isso… As plataformas ilegais operam sem licença, não recolhem tributos, ignoram regras de publicidade e proteção ao consumidor e ficam fora dos mecanismos oficiais de prevenção ao jogo compulsivo.

Contexto: O mercado de apostas explodiu no Brasil após 2019, quando a modalidade foi autorizada, mas permaneceu sem regulamentação efetiva. A partir de 2023, o governo Lula promoveu a regulamentação do setor. Durante a tramitação da lei no Congresso, os parlamentares ampliaram seu alcance para incluir também os jogos virtuais, como cassinos online e o popular “jogo do tigrinho”.

Vá mais fundo: A nova estratégia desloca parte da fiscalização para o sistema financeiro. Em vez de atuar apenas contra os sites ilegais, o governo busca interromper o fluxo de dinheiro que sustenta essas operações, responsabilizando também as instituições que processam os pagamentos. A medida tende a elevar o custo de operação das bets clandestinas e reforçar a distinção entre operadores licenciados e o mercado paralelo.

O Ceará
O Ceará conta atualmente com aproximadamente 29 fintechs ativas, figurando como o segundo estado com mais negócios desse segmento no Nordeste, atrás apenas de Pernambuco

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