Noé e seus filhos trabalharam de sol a sol antes que as chuvas viessem. Finalizaram a tempo o gigantesco barco de madeira, com o traçado e as dimensões ditadas pelo Senhor: 135 metros de comprimento, largura de 22,5 metros e altura de 13,5 metros, divididos em três andares – tudo isso, claro, calculado em uma antiga unidade de medida denominada côvado.
O espaço se fazia suficiente para abrigar, por um longo tempo, um par de cada espécie animal capaz de caminhar e de rastejar sobre a Terra, ou de voar pelos ares. Só Deus sabe como teria Noé conseguido arrebanhar tamanha diversidade de fauna, do urso polar ao bicho preguiça, do rinoceronte às borboletas, dos pinguins aos iguanas. A nós, cabe aceitar.
Fato é que, quando as nuvens da tempestade se aglomeraram nos céus e o dia escureceu na mais escura das noites, quando as comportas celestes se abriram no que ia ser conhecido como o castigo do Dilúvio, exterminando toda a vida criada por um Deus arrependido de sua criação, a arca de Noé ergueu-se sobre as águas e navegou nas ondas por 40 dias e 40 noites.
O cessar da chuva deixou a arca encarapitada em uma das tantas montanhas da região Leste de onde hoje é a Turquia, entre 3 e 5 mil metros de altura. E é justamente lá, onde o corpo imenso da Turquia tem sua extremidade final, na esquina com a Armênia, com o Irã e com o Azerbaijão, que estão se fortalecendo os indícios de uma poderosa revelação. Aparentemente, como dizem os cientistas envolvidos, está mais perto de ser encontrada a Arca de Noé.
Não apenas encontrada, pois há décadas os pesquisadores já suspeitavam da materialidade de sua existência, mas escavada, desenterrada, revelada, sua ossatura de madeira petrificada exposta aos olhos do mundo.
Pelo menos é o que tenho lido por aí, em matérias nas quais posso ver, graças ao sobrevoo de drones, imagens mostrando o formato abaulado do que bem poderia ser uma gigantesca nau, construída para singrar as águas, encimando o alto de uma montanha nas proximidades do bíblico monte Ararate.
O local pertenceu a vários povos, tendo por último sido ocupado pelos armênios, antes que acordos e tratados transnacionais o incluíssem sob o domínio turco. Após recebida a autorização governamental para as escavações, os admiráveis prodígios da tecnologia vêm trazendo à luz do dia, a comprovação de material orgânico inusitado no subsolo, a existência das tão humanas linhas retas, a presença de compartimentos vazios, as dimensões que harmonizam com o que descreve a Bíblia.
Evidente que o resultado das investigações pode comprovar ser tudo aquilo nada mais que uma banal cratera vulcânica, uma das tantas daquela redondeza de áspero perfil, ou de um simples acidente geológico em uma região sujeita a profundos deslocamentos de solo. Mas não custa mergulhar no fascínio causado pela possibilidade de se descobrir algo distante da nossa previsível rotina.
Para os incrédulos, seria um pouco como encontrar os fragmentos do cometa ou asteroide que exterminou os dinossauros. Como identificar o elo perdido no instante da transição entre os gorilas e os seres humanos. Como resgatar vozes emitidas em ondas sonoras milhares de anos atrás.
Vamos aguardar conclusão dos trabalhos dos cientistas. Ao Leste do Éden tudo pode acontecer.
Angela Barros Leal é jornalista, escritora e colaboradora do Focus Poder desde 2021. Sócia efetiva do Instituto do Ceará.







