Jacques Lambert, no despertar da onde do interesse e simpatia pelo Brasil, que fez moda na França, no pós-guerra imediato, publicou um livro cuja repercussão nos círculos acadêmicos fortaleceria o interesse dos brasileiros pelo Brasil , (“Les deux Brésil”, 1953).
Roger Bastide retrucaria, em grande estilo com “Brésil, Terre de Contrastes” (1957). Antes, porém, Charles Morazé lançaria “Les Deux âges de Brésil”, ampliando o escopo de uma abordagem que marcaria os estudos brasilianistas, antes da “chegada” dos “brazilianists” americanos ao Brasil.
Neste grupo despontam Euclides da Cunha, Gilberto Freyre, Fernando de Azevedo e Sérgio Buarque de Holanda — os essenciais– ,de tal modo relevante foi a sua contribuição para os brasilianistas da época…
[Lambert e Bastide protagonizaram papel relevante no estudo de uma tese que despertaria grande inreresse sociológico, político e antropológico. A imagem de “dois Brasis” suscita e põe em cheque duas realidades que coexistem — o “Brasil moderno”, do Centro-Sul e o “Brasil arcaico” do Nordeste.]
A clivagem nítida entre estes dois “países” demonstra a distância que os separa ainda hoje, aprofundada neste século pelas realidades que se opõem e políticamente desenham os seus contrários.
A imagem de “dois Brasis” volta a ganhar projeção com a polarização político-ideológica que reduz o Nodeste e parte do Norte a uma província marcada pelo extremismo de uma militância ativista primitiva porém perseverante.
Os principais índices de desenvolvimento humano (IDH) refletem-se no mapa eleitoral deste ano. Suas duas metades, cujas disparidades se mostram distantes em todas as estatísticas, falam das 3 idades do Brasil e como se apresentam como os 2 “países”…
Esta vasta região traz na sua história atraso secular, alimentado pelas inclemências climáticas e pela força politica das oligarquias e de uma cultura patrimonialista dominadora.
Eleitoralmente, estamos divididos em hostes aguerridas de brasileiros “progressistas” e “conservadores” ou, se o preferirem, de esquerdistas e direitistas.
Estamos sitiados em um arquipélago de atraso e progresso, por territórios social e culturalmente distantes.








