
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria deixado o Brasil na noite de segunda-feira (26), cruzando a fronteira com a Argentina para seguir viagem aos Estados Unidos em um voo privado. A informação foi publicada pelo site argentino Infobae e repercutiu em outros veículos de comunicação. A Polícia Federal (PF) monitora as fronteiras para verificar se o parlamentar realmente saiu do país.
De acordo com o Infobae, Flávio teria entrado na Argentina utilizando seu documento nacional de identidade e seguiria para Puerto Iguazú, na província de Misiones. A decolagem de um jato Gulfstream G400 estava prevista para as 2h desta terça-feira (27), no horário local. No entanto, dados consultados no serviço de rastreamento Flightradar24 não indicavam uma decolagem da aeronave com destino aos Estados Unidos.
Aliados negam informação
O deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), irmão do senador e residente nos Estados Unidos, ironizou a notícia em declaração à colunista do UOL Mariana Sanches. Ele classificou a informação como falsa e afirmou que a divulgação buscaria justificar possíveis medidas contra Flávio.
O advogado Fabio Wajngarten, aliado da família Bolsonaro, também negou a informação em publicação na rede social X. Até a publicação das primeiras reportagens, a assessoria do senador não havia respondido aos pedidos de posicionamento.
Avião citado na reportagem
Segundo o Infobae, a aeronave mencionada é um Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, registrado em nome da empresa argentina Baires Fly S.A. A companhia teria solicitado procedimentos aduaneiros e migratórios para quatro passageiros e três tripulantes.
Fabricado em 2004 pela Gulfstream Aerospace, o modelo tem capacidade para até 13 passageiros e autonomia estimada entre 7 mil e 7,8 mil quilômetros.
Ordem para entregar passaportes
Na noite de domingo (25), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que Flávio entregasse seus passaportes comum e diplomático à Polícia Federal em até 24 horas. A decisão também proibiu o senador de manter contato com o advogado Willer Tomaz, investigado no mesmo procedimento.
Em vídeo publicado nas redes sociais na segunda-feira, Flávio afirmou que nunca pensou em deixar o país e que cumpriria a determinação judicial, mas contestaria a medida. Segundo o parlamentar, a decisão de Moraes levou em consideração declarações de Eduardo Bolsonaro, que havia defendido que o irmão deixasse o Brasil caso perdesse a eleição presidencial.
Investigações no STF
Flávio Bolsonaro é investigado em dois inquéritos criminais no STF. Um deles apura suspeitas relacionadas à negociação de recursos com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Segundo reportagem do The Intercept Brasil, Flávio teria negociado o repasse de pelo menos US$ 24 milhões para a produção. O dinheiro teria sido transferido para um fundo nos Estados Unidos ligado a Eduardo Bolsonaro. O caso envolve suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Flávio nega irregularidades e afirma que o financiamento do filme utiliza recursos privados obtidos legalmente.
O segundo inquérito investiga a relação do senador com Willer Tomaz e possíveis movimentações financeiras suspeitas envolvendo empresas ligadas ao advogado e plataformas de apostas.
E-mails obtidos pela Polícia Federal indicam que os dois teriam compartilhado uma conta no banco Santander. Em uma das mensagens, Flávio aparece identificado como “usuário master”, credencial que pode permitir a administração conjunta da conta e a movimentação de valores. Em manifestações oficiais, ambos negaram ter compartilhado a conta.
Tomaz detém a maioria das ações da empresa portuguesa Cathedral Holdings, única acionista da Rede Loto, responsável pela casa de apostas BestBet. Uma reportagem da revista Piauí apontou que Flávio teria sido sócio oculto da plataforma, informação que integra o contexto das apurações sobre a relação entre o senador e o advogado.





