Priscila: de que se tratam o abuso e a tirania?

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Na última terça (27/10) o assunto parlamentar, em todas as Casas Legislativas, foi o resultado do segundo turno presidencial. De um lado, a comemoração pela quarta vitória de Lula (PT); do outro, lamentações pela derrota de Flávio Bolsonaro (PL) a acusar o suposto “golpe”. Na Câmara dos Deputados não foi diferente: diversos deputados intercalaram-se entre comemorações e ataques.

A deputada Priscila Costa (PL) foi uma das oradoras da sessão daquele dia na Câmara. Como não podia ser diferente, uma vez que seu candidato foi derrotado, postou-se ao lado daqueles que acusaram o suposto golpe.

Vejamos parte de seu discurso:

“[…] ainda cedo configurava-se, diante de toda a Nação, um cenário de abuso e de tirania quando o Ministro Zanin, advogado de Lula, indicado para ser Ministro do STF, tomou uma decisão esquisitíssima: a decisão de prorrogar a eleição, algo nunca visto na história do Brasil, prorrogar o encerramento da eleição!“.
Como tantos outros apoiadores de Flávio, a deputada omite o fato de que: 1- a prorrogação chegou ao presidente do TSE ainda no começo da tarde, mas ele não respondeu; 2- a campanha de Flávio, por outras razões, também solicitou a prorrogação da votação; 3-Zanin foi sorteado pelo sistema do Tribunal; 4- o pedido do PT chegou pouco depois das 13h, o do PL depois das 15h.
Depois, a deputada afirma que, com relação ao pedido de entrega seu passaporte à PF, por parte de Flávio, estaria claro que “tudo isso estava sendo premeditado para tornar Flávio Bolsonaro um instrumento de chantagem por parte do Ministro Alexandre de Moraes”.
Bem, só se soubesse, de antemão, que ele seria derrotado, pois, na condiçãod e vencedor, não teria razão para tentar fugir do país, como o fez.
A deputada concluiu:
“[…] se Flávio errou, errou porque não saiu antes dessa ditadura configurada depois dessas decisões durante o processo eleitoral. Fica claro, Presidente, que Flávio Bolsonaro não teria acesso ao devido legítimo processo eleitoral. Onde não há legítimo processo eleitoral, não há democracia“.
Numa “ditadura”, o passaporte não teria sido pedido, mas confiscado; Flávio não teria ficado sob a segurança de sua equipe do Senado, mas sob a da PF; sua equipe de campanha teria dito, como se fazia na ditadura, onde ele estava; o PL teria de ter dado muitas explicações; e ele não tera fugido tão facilmente do país.
Além disso, não sei a que a deputada se refere ao dizer que não houve “legíitmo processo eleitoral”. Houve eleição, e o senador foragido perdeu.

Agora, se houve um um cenário de abuso e de tirania foi o que ela e seu esposo vivenciaram dentro do PL no que diz respeito ao fundo partidário, como consequência de seus atritos com André Fernandes.

Quando se buscam os valores recebidos pelos candidato a federal pelo PL, ela é a única que não recebeu os R$ 3 milhões recebidos por André, Carmelo, Jaziel e Mateus Noronha.

Priscila, deputada em busca de reeleição, recebeu apenas metade do valor (R$ 1,5 milhão); o mesmo valor de Kamila Cardoso, que não exerce nenhum mandato,  do vereador PP Cell e do deputado Lucinildo Frota. O montante por ela recebido é o dobro de Alcyvania Pinheiro (que foi candidata à vice de André em 2024) e do ex-deputado Moroni Torgan.

Então, onde estará a democracia interna do PL? Mais do que isso: onde está a denúncia?

O cenário de abuso e de tirania praticado internamente fica ainda mais visível ao se observar o quadro da disputa pra deputado estadual: os três candidatos de André receberam, cada um, R$ 200 mil, somando R$ 600 mil; Bella Carmelo e Dra Silvana receberam R$ 1 milhão; Edilene Pessoa, candidata à vice de Wagner em 2024, recebeu meio milhão. O marido de Priscila Costa, Pastor Frota, recebeu o montante incrível de … zero reais!!!!!!!!!!!

Será isso o quê? Normalidade democrática praticada pelo PL? “Legítimo processo eleitoral” interno?

Bem, além de tudo isso, a deputada deve lembrar do processo interno de desgaste que sofreu a partir de inúmeras publicações em páginas criadas ou geridas por gente muito próxima do comando estadual do PL.

“Por um tiquinho assim”, como disse Flávio, ela não foi sua vice; o “tiquinho assim”, na verdade, foi uma intensa mobilização para esvaziá-la depois de ter ousado enfrentar o comando estadual e lançar-se “senadora do Bolsonaro” – várias foram as vozes, inclusive de parlamentares locais, a desautorizarem-na na sua pretensão. Inclusive, lembre-se bem, algumas daquelas personas que estavam no dia 30 de novembro de 2025 com ela, no evento de Eduado Girão (NOVO), e que pousaram para a foto obrigatória exigida por Michelle Bolsonaro, depois marcharam no PL bem ao lado de André e Alcides, sem nenhuma solidariedade à deputada e, registre-se, recebendo uma boa quantia do fundo partidário para tocarem suas campanhas.

Depiois disso, no momento em que assumiria a presidência do PL Mulher, com a saída de Michelle, o que se viu? Valdemar Costa Neto desfazer o braço feminino do partido. Quem terá dado a ordem?

Será isso democracia, deputada? Ou um cenário de abuso e de tirania?

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