Brasil é o 5º país mais otimista do mundo, aponta Ipsos; confiança cresce em meio à polarização política

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Pesquisa realizada em 30 países
mostra avanço da confiança do consumidor brasileiro, sustentada pelo emprego e pela renda. Mas há um contraste: 61% ainda consideram que o Brasil está no rumo errado.

O brasileiro está mais confiante na economia, apesar da polarização política e das preocupações com segurança e corrupção. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC), medido pela Ipsos, alcançou 54,1 pontos em outubro, avanço de 1,9 ponto em relação a setembro. O resultado coloca o Brasil na quinta posição entre os 30 países pesquisados.

Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (29) pela Ipsos e noticiados pelo jornal Valor Econômico. O Brasil está acima da média global, de 47,3 pontos, num levantamento em que apenas nove países superaram a linha de 50 pontos, considerada o limite entre pessimismo e otimismo.

O Brasil no ranking mundial

Índice de Confiança do Consumidor — outubro de 2026

Brasil em 5º
Chart

Fonte: Ipsos Global Consumer Confidence Index, outubro de 2026.

Somente nove das 30 economias pesquisadas registraram índice de pelo menos 50 pontos.

Por que importa

A pesquisa revela um fenômeno relevante para compreender o comportamento do eleitor e do consumidor brasileiro: a percepção sobre a economia pode ser mais favorável do que a avaliação sobre os rumos do país.

O avanço da confiança ocorre no mesmo mês em que o Brasil reelegeu Luiz Inácio Lula da Silva, após uma campanha marcada pela polarização.

Há, porém, uma distinção importante: a coleta internacional da Ipsos ocorreu entre 25 de setembro e 9 de outubro, antes do segundo turno de 25 de outubro. Portanto, o resultado não deve ser interpretado como reação à vitória de Lula.

O que os números permitem observar é que o consumidor já demonstrava maior confiança na economia durante a campanha eleitoral.

Os números por dentro

O levantamento mostra que a melhora não ficou restrita às expectativas de longo prazo.

Indicador Outubro Variação mensal
Confiança geral 54,1 +1,9 ponto
Situação atual 45,6 +3,4 pontos
Investimentos 51,4 +3,2 pontos
Expectativas futuras 67,8 Alta
Emprego 53,6 Estável

O ponto central: embora a avaliação da situação atual permaneça abaixo da linha de otimismo, sua recuperação foi a mais expressiva. Ao mesmo tempo, a confiança para investir voltou ao campo positivo.

Para Rafael Lindemeyer, executivo da Ipsos Brasil, o consumidor brasileiro destravou o freio de mão e recuperou a disposição de gastar. A estabilidade do emprego e da renda ajudou a sustentar esse movimento.

O paradoxo brasileiro: otimismo econômico, pessimismo nacional

País no rumo certo

39%

Alta de 3 pontos percentuais

País no rumo errado

61%

Maioria ainda insatisfeita

É aqui que está uma das informações politicamente mais interessantes do levantamento. O brasileiro demonstra maior disposição para consumir e investir, mas não necessariamente está satisfeito com o funcionamento do país. A pesquisa What Worries the World, também da Ipsos, confirma a persistência de preocupações estruturais:

  • 46% apontam crime e violência como principal preocupação.

  • 38% citam corrupção política e financeira.

  • 33% mencionam pobreza e desigualdade.

  • 31% estão preocupados com a saúde.

Há uma mudança significativa em relação às eleições de 2022: naquela época, pobreza e desigualdade lideravam as preocupações, com 46%. Quatro anos depois, segurança pública e corrupção ganharam protagonismo.

Vá mais fundo: o que a pesquisa revela sobre o Brasil que reelegeu Lula

O levantamento oferece uma chave de interpretação para o ambiente político brasileiro, embora não permita estabelecer uma relação causal direta com o resultado das urnas.

A melhora da confiança econômica ajuda a compreender como uma população insatisfeita com problemas estruturais pode, simultaneamente, reconhecer aspectos positivos de sua realidade material.

O eleitor pode estar preocupado com a violência, desconfiar das instituições e considerar que o país segue na direção errada, mas, ainda assim, valorizar a estabilidade do emprego, o poder de compra e a perspectiva de manutenção da renda.

É a diferença entre julgar o país e avaliar a própria vida. Essa distinção ajuda a explicar por que indicadores econômicos e avaliações políticas nem sempre caminham juntos.

O que vem a seguir

O desafio para o próximo mandato presidencial será transformar a recuperação da confiança econômica em percepção mais ampla de melhoria do país. O emprego e a renda são fundamentais, mas insuficientes para resolver a insatisfação com a segurança pública, a corrupção e a qualidade dos serviços.

Em síntese: o brasileiro está mais otimista sobre sua capacidade de consumir e investir do que sobre os rumos do Brasil. A economia oferece esperança; a realidade institucional e social ainda produz desconfiança.

Fontes: Valor Econômico, edição de 29 de outubro de 2026; Ipsos Global Consumer Confidence Index e Ipsos What Worries the World, outubro de 2026.

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