A governança nas empresas sob o impacto da COVID-19, por Wilton Daher

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Wilton Daher, Vice-presidente IBEF Ceará. Foto: Divulgação

Bill Gates, fundador da Microsoft e humanista, em palestra no TED Talks, em 2015, alertou aos governantes globais que investissem em sistemas de defesa de seus territórios com política de  prevenção a catástrofes pandêmicas, em lugar de barreiras contra ataques nucleares. A mensagem não foi levada a sério e a desgraça aconteceu!

Esta crise passará e outras virão, mas qualquer crise, por menos agressiva que seja, impacta pessoas, relacionamentos e ambiente dos negócios.

E a Governança nas empresas como fica?  A Governança Corporativa (GC) se apoia em quatro pilares: Transparência, Equidade, Prestação de Contas e Responsabilidade Social.

Em agosto de 2019, 181 presidentes-executivos das maiores corporações americanas, filiados à Business Roundtable, subscreveram carta de propósito pregando que todas as empresas que representam se comprometeriam tratar de forma igualitária todas as partes interessadas — sócios, colaboradores, clientes, fornecedores, comunidades, governos, entidades classistas (stakeholders).

Em seguida, o fundo de investimentos  BlackRock, um dos maiores do mundo, no mesmo sentido, relançou o seu compromisso de adoção das melhores práticas de Governança para preservação meio-Ambiente, do Social e da Governança (ASG), realizando um série de eventos para tratar do tema. É isso mesmo ou um discurso de marketing?

Infelizmente, o que se observa nas ações de algumas corporações globais listadas em bolsas de valores, são atitudes conflitantes aos interesses de acionistas minoritários, agressão ao meio-ambiente, exagerados pro-labore e bônus a seus altos executivos, dentre outras ações pouco recomendáveis.

E os conselhos de administração, muitos com número excessivo de seus membros, permanecerão sendo visto como  “clubes de cavalheiros”, onde impera e aquiescência e a cerimônia, quando deveriam ser instâncias de contestação e questionamento que agregassem valor ao negócio? E o caso Brumadinho: onde estavam os conselheiros, dormindo ao volante, e não viram os sinais do gravíssimo desastre ambiental e humano?

O fato é que o momento da verdade chegou com a COVID-19  e o capitalismo responsável enfrenta o seu maior teste e desafio. Daqui pra frente, qual a será a postura das empresas brasileiras diante desse quadro caótico quando se luta com um inimigo invisível, voraz e matador de pessoas e de negócios?

Será que as empresas vão pensar somente em proteger a si mesmas ou vão levar em consideração o seu ecossistema, principalmente os stakeholders?

E a Governança nas sociedades empresas familiares está estruturada? Estas vivem numa atmosfera constantemente influenciada pela emoção, e como é difícil combinar “sentimentos, afetos e relacionamentos” com “trabalho, dinheiro e propriedade”.

Daí, a importância do planejamento sucessório por meio de instrumentos adequados. O acordo de sócios, combinado com o protocolo familiar, por exemplo, e uma das estruturas de Governança indispensáveis à perpetuidade do negócio. Melhor resolver pendências complexas antes que qualquer tipo de crise surja no horizonte.

Técnicas de gestão tradicionais sugerem redução de custos e elevação da produtividade. Esse receituário ainda é válido, mas diferentemente da crise de 2008, que inicialmente impactou os fundamentos econômicos e gradativamente o caixa, a COVID-19 impactou imediatamente  o caixa das empresas. Agora, é imperioso preservar o caixa a todo custo! Não confundir caixa com resultado (perspectiva de geração de receita a médio ou longo prazos).

Muita união e paciência de todos para superar os imensos desafios nessa hora, lembrando que “nenhum de nós é melhor do que todos nós” (provérbio japonês). Vive-se momento histórico inédito que enseja oportunidade de grande aprendizagem com as lições aprendidas. Lições que vão moldar o nosso futuro.

A adversidade desperta em nós capacidades que em circunstâncias favoráveis teriam ficado adormecidas, nos ensina o filósofo grego Horácio (65–8 a.C.).

Só lembrando: As  empresas são vistas como centro de bem-estar social e como fonte de geração de riquezas e criadora de tecnologia elementos, indispensáveis à solução dos problemas sociais. Elas sempre exerceram grande influência no desenvolvimento da humanidade. Portanto, preservá-las é preciso!

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