A Advocacia na Era da Informação. Por Camilla Goes

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Por Camilla Goes
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A Era da Informação trouxe uma verdadeira revolução ao mundo jurídico, proporcionando não só novas ferramentas tecnológicas, mas também transformando profundamente a prática da advocacia e as dinâmicas do mercado.

É inegável que a virtualização tanto do Judiciário quanto das profissões tem facilitado a inclusão social à medida que consegue reduzir barreiras e criar ambientes mais equitativos para todos os indivíduos, independentemente de suas circunstâncias pessoais ou profissionais.

Em 2024, vivemos uma Advocacia quase que completamente digital. Hoje atendemos, consultamos e processamos em quase todos os Tribunais do País de forma remota. É seguro afirmar que todos os escritórios de advocacia no Brasil já utilizam algum tipo de tecnologia jurídica para otimizar suas operações, especialmente ao considerarmos que:

1) No Brasil, temos mais de 5,4 milhões de normas legais, incluindo leis federais, estaduais e municipais. Desde a promulgação da Constituição de 1988, foram criadas mais de 163 mil normas federais, sendo 5.590 leis ordinárias, 95 leis complementares e 11.995 decretos, entre outras categorias.

2) Atualmente, existem mais de 100 diferentes tipos de softwares jurídicos disponíveis no mercado brasileiro, desenvolvidos para atender desde grandes escritórios até advogados autônomos.

3) Em nosso País, temos vários sistemas judiciais utilizados pelos tribunais pátrios. O principal sistema é o Processo Judicial Eletrônico (PJe), que foi instituído como padrão pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) através da Resolução CNJ nº 185/2013. No entanto, além do PJe, muitos estados ainda utilizam outros sistemas devido a particularidades locais ou por estarem em transição para o PJe, como o e-SAJ, E-Proc, PROJUDI, entre outros.

Isso significa que a advocacia brasileira não tem a opção de não exercer sua atividade no mundo virtual e digital, ela já pertence integralmente à Era da Informação.

A pergunta que fica é: uma profissão cunhada na CONFIANÇA, consegue resistir a tanta virtualização?

Para responder a esta pergunta, precisamos considerar que exercer a Advocacia virtual e digital hoje não afasta a imprescindibilidade de continuar a fundamentar a relação profissional na relação humana. Mais que nunca, precisamos fortalecer a percepção que do outro lado da tela há sempre um ser humano com necessidades biológicas, emocionais, psicológicas e sociais próprias de nossa natureza.

Ainda que falemos da expansão da inteligência artificial para melhorias dos nossos fluxos de dados e informações – que, como vimos acima, está mais que justificada essa necessidade -, o que temos na ponta do exercício da profissão é um ser humano precisando de outro para resolver um conflito com outro ser humano.

A presença física continua sendo importante ainda para todos aqueles que acreditam que um e-mail não substitui uma reunião, pois ainda continua igualmente importante ouvir o cliente, manter o olho no olho, apertar as mãos e dar o tom de voz respeitoso para mostrar qual é o tipo de diálogo que será firmado ao longo da relação.

Portanto, a Advocacia humanizada continua como estandarte, ganhando cada vez mais robustez e brio, principalmente quando visualizamos os significativos avanços que temos feito através da Advocacia em prol da sociedade, como a inclusão da diversidade em tantos espaços antes não ocupados e, hoje, muitos já são liderados.

Avante, Advocacia, temos ainda muito o que avançar. Cada vez mais!

Camilla Goes é advogada, especialista em Direito Médico-Hospitalar e Responsabilidade Civil, sócia do escritório Imaculada Gordiano Sociedade de Advogados. É articulista do Focus Poder e escreve mensalmente.

 

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