A crise econômica da pandemia. Por Ricardo Coimbra

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Ricardo Coimbra
Ricardo Coimbra, presidente do Conselho Regional de Economia do Ceará Corecon/Ceará. Foto: Divulgação Facebook

O impacto da pandemia na economia foi muito forte. É interessante observar que este impacto é verificado não somente na forte retração da atividade econômica, onde temos expectativa de que o PIB do ano de 2020 tenha uma queda de 5,5%, como também tivemos o crescimento da taxa de desemprego passando de 13%.

Ao longo dos últimos meses tivemos uma forte elevação no número de pedidos de seguro-desemprego. Essas variáveis são importantes para que sejam identificados os impactos ocorridos na economia brasileira. Ou seja, setores de serviço, indústria e também no agronegócio, esse último menos impactado, mas também sofrendo fortes impactos.

Além disso, gera impactos em relação à capacidade de pagamentos, o crescimento do endividamento, ou seja, o comprometimento de renda das famílias brasileiras aumentou de forma significativa, e também a inadimplência. Isso atrelado à necessidade de manutenção de sobrevida das pessoas, gerou por parte do Governo, o surgimento do Programa de Auxílio Emergencial, que vem de certa forma beneficiando uma parcela significativa da população, principalmente daquelas vinculadas com a informalidade e segmento de serviços.

Esta medida vem ajudando a reduzir os fortes impactos na atividade econômica do país, e sua possível postergação em um valor menor, alivia também a situação fiscal, e gera a possibilidade de uma ajuda na continuação da recuperação, mesmo que de forma lenta e gradual, gerando uma possibilidade de um resultado positivo do PIB em 2021.

Sendo assim, a participação do Estado é extremamente importante, seja no auxílio aos mais necessitados, como também é necessário criar mecanismos de auxílio ao pequeno e médio empreendedor, programas como o PRONAMPE que vieram a ajudar o acesso aos créditos aos pequenos e médios empresários. Mas o que é percebido é que o volume de recursos ainda está aquém das necessidades, da possibilidade e do acesso mais efetivo do crédito para todos os setores da atividade econômica, então sendo necessário uma forte ajuda e intervenção do Estado na busca da recuperação continuada da atividade econômica.

Contudo, não pode se deixar de mão o controle e o direcionamento da situação fiscal, ou seja, no mesmo instante que você gera perspectiva de apoio do Estado aos mais necessitados, seja do setor produtivo ou aos indivíduos, é necessário também se preocupar e dar encaminhamento às reformas administrativa e tributária, para que seja possível a médio e longo prazo gerar uma situação de equilíbrio fiscal. O Estado precisa estar organizado, pensando em diminuir os seus gastos principalmente com a máquina pública, direcionando ao que é mais necessário, que é na educação, saúde e também nos serviços gerais para a coletividade.

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