As Câmaras de Comércio na estratégia de internacionalização do Ceará

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Rômulo Alexandre Soares é advogado, sócio da firma Albuquerque Pinto Advogados e vice-presidente da Federação das Câmaras de Comercio Exterior. Escreve quinzenalmente para o Focus.jor.Por Rômulo Alexandre Soares
O Ceará inaugurou em 1998 a primeira linha aérea internacional ligando a sua capital à cidade de Lisboa. Pouco mais de dois anos depois, seria fundada, com o apoio da Federação das Indústrias do Estado do Ceará, a primeira câmara estrangeira bilateral em Fortaleza, voltada à promoção dos negócios luso-cearenses nas áreas do comércio, indústria e turismo.
Era natural que o voo da TAP produzisse uma transformação nas relações econômicas entre esses dois mercados, precipitada pelo então embaixador cearense Dário Castro Alves e aproveitada pelos empresários portugueses do porte de Jorge Rebelo de Almeida, no turismo, e do atual presidente da Câmara, Armando Abreu, nas energias renováveis, para ficar apenas nestes dois exemplos.
O caso português é emblemático pois, apesar do pouco expressivo comércio bilateral que ainda perdura, verificou-se uma expansão na relação bilateral na vertente do investimento, como tratei em 2003 na defesa de dissertação de mestrado sobre as determinantes do IED e que já apontava a existência de cerca de 500 empresas cearenses com capital português no Estado.
Dos voos diários para Lisboa, sucederam-se as rotas para outros países europeus, sul-americanos, para Cabo Verde e para as Américas do Norte e Central, esta última, com a recente ligação de Fortaleza à Cidade do Panamá. Do mesmo modo que aconteceu à conexão luso-cearense, as ligações aéreas fizeram florescer um ambiente favorável ao surgimento de outras câmeras bilaterais no Estado. Assim, em 20 anos, foram constituídas em Fortaleza Câmaras de Comércio ligando o Ceará também à Itália, Israel, Cabo Verde, China, Estados Unidos, Angola, Alemanha e recentemente, à Holanda.
Esta semana assistimos ao surgimento de mais uma nova Câmera de Comércio, que avalio de extrema relevância, por tudo o que representa na inserção internacional do estado: a da Argentina. Fruto de um protocolo de intenções firmado há cerca de um ano, pela Federação das Indústrias do Estado do Ceará, a Federação do Comércio do Estado do Ceará e a diplomacia comercial argentina, a jovem entidade assume a partir de 2019 uma agenda de olho nas trocas comerciais abrangendo a exportação cearense de calçados e importação de grãos para a nossa indústria moageira e avícola e na indução de novas oportunidades de comércio, indústria e investimento, como por exemplo, no turismo e nas energias renováveis.
Em 20 anos, o Ceará somou um crescimento expressivo na sua jornada de internacionalização. Mas pode ser ainda maior, face às oportunidades que a sua centralidade atlântica pode proporcionar. Assim sendo, concordo que devemos enxergar o Ceará no seu papel de entreposto conectando mercados.
Em outras palavras, devemos apostar e trabalhar, por um lado, firmemente para influenciar na conclusão do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia e, por outro, para que a região de Fortaleza exerça sua vocação metropolitana, reforçando o diálogo com o Piauí, Tocantins e o Rio Grande do Norte (como porto de saída para a produção agrícola desses estados), amplie a sua influência no transporte de cabotagem e escoamento continental e, pelo ar, conecte-se mais longe e a novos mercados.
O turismo é sem dúvida uma importante âncora para a internacionalização do Estado. Por isso, é vital se usar a estrutura de promoção que a Secretaria do Turismo do Ceará tem desempenhado com inteligência e arrojo, para mostrar, além dos destinos de lazer e eventos, o que se produz no Ceará e sua condição de hub, interligando as economias do Atlântico.
Nesse processo de internacionalização em expansão, acredito que há espaço para a criação de novas câmaras no Ceará ligando o estado a outros mercados, como França, Colômbia, Panamá, Espanha e Canadá, para citar apenas alguns. Enquanto vice-presidente no Nordeste da Federação das Câmaras de Comércio Exterior, fundada em 1932 e congregando mais de oitenta entidades bilaterais no Brasil ressalto o papel de destaque que essas entidades bilaterais podem ter no processo de internacionalização do Ceará e a necessidade de convergência das suas agendas para articularem um ambiente favorável ao investimento e ao comércio, apontando medidas que deem mais segurança e confiança aos investidores estrangeiros de olho no Ceará.
 

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