Assim como foi com Lula, Tasso se torna a referência da oposição a Bolsonaro

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A manchete do The Guardiam mostra a dura realidade na qual o Brasil se meteu.

Por Fábio Campos
fabiocampos@focuspoder.com.br

Assim como ocorreu no segundo governo de Lula, quando foi o mais ativo senador de oposição ao presidente petista, Tasso Jereissati (PSDB) se configura agora em um incômodo opositor de Jair Bolsonaro. “É preciso parar esse cara”, disse o tucano ao criticar asperamente a carnavalesca (para não usar outro termo) visita do presidente da República ao Ceará.

Não é comum assistirmos Tasso defendendo uma CPI. O seu senso de responsabilidade sabe que esse tipo de instrumento, até para que não se vulgarize, só deve ser usado em situações muito especiais. Pelo visto, o senador passou a avaliar que as atitudes de Bolsonaro ultrapassaram qualquer limite da responsabilidade. Tanto que parte dele a maior pressão para instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) cujo objeto é investigar a conduta do presidente na crise da Covid-19

Pois é. A credibilidade e a racionalidade do veterano político, uma das poucas referências da geração surgida na década de 1980 que permanecem intactas, tem mais poder de fogo do que mil fake news favoráveis a seus alvos.

Não foi à toa o esforço pessoal de Lula para derrotá-lo na disputa de senador, em 2010. O que se previa ser uma uma reeleição fácil para Tasso se transformou numa dolorosa derrota com a vitória de Eunício Oliveira e José Pimentel. Isso, com a ajuda do grupo político de Ciro e Cid Gomes, que meses antes ainda faziam juras de amor ao tucano. E vice-versa.

O barulho de Tasso contra Bolsonaro já repercute na imprensa internacional. O britânico The Guardian publicou reportagem com o seguinte título: “Especialistas alertam que o Brasil enfrenta os dias mais sombrios da crise da Covid, com mortes atingindo o nível mais alto”. No âmbito da política, advinhem qual foi uma das fontes ouvidas pelo periódico? Sim, Tasso.

Eis: Estamos vivendo um dos piores momentos da nossa história”, disse Tasso Jereissati, um influente político de centro-direita que está entre um grupo de senadores que exigem uma investigação no Congresso sobre a forma globalmente condenada de lidar com a pandemia pelo presidente Jair Bolsonaro.

Podem aguardar: a artilharia pesado do bolsonarismo, que não costuma medir consequências, vai se dirigir raivosamente e com todas as forças contra o senador cearense. A diferença é que Tasso não é petista e tem trajetória de referência. Fica mais difícil colar desgastes.

Detalhe: como os ingleses são ingleses, o espaço ideológico no qual o The Guardian o inseriu foi o mais que perfeito: “centro-direita”.

 

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