Atlas/Bloomberg: Flávio tem 50,8% dos votos válidos contra 49,2% de Lula

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A pesquisa Atlas/Bloomberg mostra uma eleição praticamente dividida ao meio, com vantagem numérica de Flávio Bolsonaro sobre Lula, ao mesmo tempo que revela um governo com avaliação predominantemente negativa.

A leitura política mais importante é esta: a disputa presidencial está extremamente apertada, e Lula enfrenta o desafio de converter sua base de apoio em votos suficientes para vencer. A pesquisa, porém, não autoriza concluir que a vitória de qualquer candidato esteja assegurada.

1. Os números centrais

INTENÇÃO DE VOTO — TOTAL DA AMOSTRA

Flávio Bolsonaro

49,9%

Lula

48,4%

Branco, nulo ou não sabe

1,7%


Nos votos válidos, que excluem brancos, nulos e indecisos, o resultado é:

Flávio Bolsonaro: 50,8%.
Lula: 49,2%.
Diferença: 1,6 ponto percentual.
A vantagem é estreita: menos de dois pontos nos votos válidos. Isso caracteriza uma disputa eleitoral altamente competitiva, não uma liderança consolidada.

A diferença entre os votos totais e os válidos é importante. Os 49,9% de Flávio não significam que ele tenha 49,9% dos votos válidos: nesse cálculo, sua participação sobe para 50,8%.

2. O que os cruzamentos eleitorais revelam

A média nacional esconde diferenças profundas entre grupos sociais. É nesses recortes que aparece a estrutura política da disputa.

Gênero: homens com Flávio, mulheres com Lula

Grupo
Flávio Bolsonaro
Lula
Homens
58,9%
38,5%
Mulheres
41,9%
57,1%
A diferença é expressiva: Flávio abre 20,4 pontos entre os homens, enquanto Lula lidera por 15,2 pontos entre as mulheres.

Leitura política: o voto masculino é um dos principais pilares de Flávio. Lula depende mais do eleitorado feminino para equilibrar a disputa. Uma mudança relativamente pequena entre as mulheres pode ter impacto nacional, mas a pesquisa não permite afirmar que isso ocorrerá.

Idade: Flávio cresce entre os eleitores mais velhos

Faixa etária
Flávio
Lula
16–24 anos
45,8%
49,2%
25–34 anos
44,9%
54,1%
35–44 anos
50,6%
46,8%
45–59 anos
53,8%
45,1%
60 anos ou mais
51,3%
48,0%

Lula lidera entre os eleitores de 16 a 34 anos. Flávio passa à frente a partir dos 35 anos e tem sua maior vantagem na faixa de 45 a 59 anos.

O resultado contraria uma leitura simplista segundo a qual a disputa seria apenas entre jovens progressistas e eleitores mais velhos conservadores. Há diferenças dentro das próprias gerações, e os números indicam que o eleitorado de meia-idade é particularmente favorável a Flávio.

Escolaridade: Lula se sai melhor entre os mais escolarizados

Até o ensino médio: Flávio 52,7%; Lula 45,9%.
Ensino superior: Lula 54,7%; Flávio 42,8%.
A vantagem de Lula entre quem tem ensino superior chega a 11,9 pontos. Flávio, por sua vez, lidera entre os que têm escolaridade até o ensino médio.

Isso sugere uma divisão social relevante, mas escolaridade não deve ser confundida automaticamente com renda, profissão ou ideologia. São variáveis diferentes, e a pesquisa as apresenta separadamente.

Renda: Flávio lidera em boa parte das faixas intermediárias

Renda familiar mensal
Flávio
Lula
Até R$ 2 mil
45,9%
52,7%
R$ 2 mil–R$ 3 mil
51,4%
45,8%
R$ 3 mil–R$ 5 mil
51,6%
47,0%
R$ 5 mil–R$ 10 mil
52,0%
46,7%
Acima de R$ 10 mil
47,6%
49,9%

O dado politicamente mais importante é que Lula lidera na faixa de renda mais baixa, mas Flávio está à frente nas três faixas intermediárias. Na faixa acima de R$ 10 mil, Lula aparece numericamente na frente por 2,3 pontos.

Portanto, a disputa não se resume a ricos contra pobres. Flávio apresenta força entre famílias de renda intermediária, enquanto Lula conserva vantagem entre as de menor renda.

Religião: o contraste mais acentuado

Evangélicos

Flávio 72,2% · Lula 27,0%

Católicos

Lula 55,9% · Flávio 43,1%

Sem religião

Flávio 51,3% · Lula 45,1%

Agnósticos ou ateus

Lula 65,6% · Flávio 27,0%

A visualização destaca quatro recortes, não toda a distribuição religiosa.

A vantagem de Flávio entre evangélicos é de 45,2 pontos percentuais. É um dos maiores desequilíbrios de toda a pesquisa. Lula, por outro lado, lidera entre católicos e tem vantagem ainda maior entre agnósticos ou ateus.

O quadro mostra que a religião é uma das linhas de divisão mais fortes do eleitorado. Isso não significa que todos os integrantes de uma comunidade religiosa votem da mesma maneira, mas a diferença entre os grupos é inequívoca no levantamento.

Regiões: duas geografias políticas distintas

Região
Flávio
Lula
Sul
60,3%
38,3%
Nordeste
35,7%
62,3%
Sudeste
53,1%
44,6%
Centro-Oeste
62,1%
37,5%
Norte
57,6%
42,3%

O Nordeste é o principal reduto de Lula: sua vantagem é de 26,6 pontos. Flávio lidera nas outras quatro regiões, com vantagens particularmente amplas no Centro-Oeste e no Sul.

O resultado indica uma polarização territorial. Entretanto, não se deve calcular o resultado nacional pela média simples das cinco regiões: cada uma tem população e peso eleitoral diferentes.

O voto de 2022 continua determinante

Entre quem declarou ter votado em Lula no segundo turno de 2022, 95,0% agora preferem Lula e 4,0% preferem Flávio.

Entre antigos eleitores de Jair Bolsonaro, 98,2% preferem Flávio e apenas 1,4% Lula.

A fidelidade é altíssima nos dois campos. Isso ajuda a explicar por que a eleição está tão apertada: o resultado depende menos de uma migração maciça entre os dois polos e mais da mobilização, da participação e das escolhas dos segmentos menores e menos definidos.

Entre os eleitores que dizem ter votado em branco ou nulo em 2022, Flávio tem 39,6%, Lula 28,0% e branco/nulo/não sabe 32,5%. É um grupo com espaço maior para disputa, mas seu peso efetivo depende de quantas pessoas desse segmento realmente comparecerão e escolherão um candidato.

3. Aprovação de Lula: o problema político do governo

DESEMPENHO PRESIDENCIAL

Desaprovam

50,8%

Aprovam

47,9%

Não sabem

1,4%

Percentuais sujeitos a arredondamento.

A desaprovação supera a aprovação em 2,9 pontos percentuais. É uma diferença relativamente pequena, mas politicamente relevante: o presidente chega à reta final sem uma maioria que aprove seu desempenho.

Isso ajuda a compreender a competitividade da eleição. Lula dispõe de uma base eleitoral muito fiel, mas sua aprovação não é suficientemente ampla para produzir uma vantagem nacional confortável.

É necessário, porém, distinguir duas coisas: desaprovar o governo não significa necessariamente votar na oposição. A pesquisa mostra uma associação entre avaliação política e preferência eleitoral, não uma relação automática de causa e efeito.

Quem aprova e quem desaprova?

Os cruzamentos mostram

Mulheres: 56,7% aprovam Lula e 42,6% desaprovam.
Homens: 59,9% desaprovam e 38,0% aprovam.
Eleitores com ensino superior: 53,4% aprovam e 45,9% desaprovam.
Eleitores com escolaridade até o ensino médio: 52,7% desaprovam e 45,7% aprovam.
Nordeste: 61,2% aprovam e 35,4% desaprovam.
Sul: 61,0% desaprovam e 38,2% aprovam.
Centro-Oeste: 62,5% desaprovam e 35,9% aprovam.
O padrão é consistente com os cruzamentos eleitorais: Lula é mais forte entre mulheres e nordestinos; a desaprovação predomina entre homens e em regiões onde Flávio lidera.

Há, entretanto, uma informação importante: a aprovação de Lula entre pessoas com ensino superior chega a 53,4%, embora ele esteja atrás de Flávio nesse segmento eleitoral. Isso mostra que aprovação presidencial e intenção de voto não são medidas equivalentes.

A divisão religiosa também aparece na avaliação do governo

Entre evangélicos, 72,5% desaprovam Lula e 27,4% aprovam. Entre católicos, 55,7% aprovam e 42,7% desaprovam.

Entre agnósticos ou ateus, 63,2% aprovam o presidente, enquanto 32,1% desaprovam.

A religião, portanto, não aparece apenas como fator de preferência eleitoral. Ela também está associada à maneira como o governo é avaliado.

4. Avaliação do governo: quase metade considera a gestão ruim ou péssima

COMO OS BRASILEIROS AVALIAM O GOVERNO

Ruim ou péssimo

49,1%

Ótimo ou bom

39,3%

Regular

11,6%

Fonte: Atlas/Bloomberg, página 15.

A avaliação negativa supera a positiva em 9,8 pontos percentuais. Esse é um dos dados centrais da pesquisa.

Há uma diferença importante entre as duas perguntas feitas aos entrevistados:

Na aprovação presidencial, 50,8% desaprovam o desempenho de Lula.
Na avaliação da gestão, 49,1% consideram o governo ruim ou péssimo.
Os resultados são próximos, mas não idênticos. Aprovação pessoal e avaliação administrativa captam dimensões diferentes da relação do eleitor com o presidente.

A parcela que avalia o governo como regular, de 11,6%, também merece atenção. É um grupo potencialmente disputável, embora a pesquisa não permita afirmar que seus integrantes estejam indecisos sobre o voto.

Como a avaliação varia entre os grupos

A avaliação negativa é especialmente alta entre:

Evangélicos: 70,9% consideram o governo ruim ou péssimo.
Eleitores do sexo masculino: 59,1%.
Moradores do Centro-Oeste: 61,9%.
Moradores do Sul: 60,2%.
Famílias com renda de R$ 3 mil a R$ 5 mil: 52,4%.
Em sentido contrário, a avaliação positiva predomina entre:

Mulheres: 46,2% consideram o governo ótimo ou bom, contra 40,2% que o avaliam como ruim ou péssimo.
Moradores do Nordeste: 52,2% avaliam o governo como ótimo ou bom.
Católicos: 46,0% avaliam positivamente, contra 41,9% negativamente.
Agnósticos ou ateus: 53,5% avaliam positivamente.
Um dado merece destaque: entre as famílias com renda de até R$ 2 mil, 43,5% avaliam o governo negativamente, 33,9% positivamente e 22,6% como regular. Mesmo no segmento em que Lula lidera nas intenções de voto, a avaliação administrativa não é unanimemente favorável.

Isso indica que a fidelidade eleitoral de uma parcela do eleitorado pode coexistir com críticas à gestão.

5. A trajetória dos indicadores: o que os gráficos temporais permitem concluir

O relatório apresenta séries históricas de intenção de voto, aprovação presidencial e avaliação do governo, nas páginas 10, 13 e 16.

Os gráficos mostram a evolução dos indicadores ao longo de sucessivas medições. Entretanto, a reprodução do PDF não permite ler com segurança todos os valores intermediários e suas respectivas datas. Por isso, não seria correto atribuir variações numéricas específicas a semanas anteriores sem uma leitura mais precisa.

O que os resultados finais permitem afirmar é:

A eleição está polarizada: os dois candidatos concentram praticamente toda a intenção de voto.
O governo enfrenta uma avaliação desfavorável: a avaliação negativa supera a positiva por quase dez pontos.
Os eleitorados permanecem muito fiéis: os cruzamentos com o voto de 2022 mostram baixíssima migração entre os dois campos.
As diferenças demográficas são profundas: gênero, religião e região ajudam a explicar a divisão nacional.
Para estabelecer se houve crescimento consistente de Flávio, recuperação de Lula ou deterioração recente da avaliação governamental, seria necessário comparar os pontos exatos das séries temporais com pesquisas anteriores.

6. Metodologia e confiabilidade

Segundo o documento, a pesquisa tem as seguintes características:

Item
Informação
Instituto
AtlasIntel
Contratante/parceiro indicado
Bloomberg
Amostra
4.990 respondentes
Público-alvo
População adulta brasileira
Coleta
18 a 23 de outubro de 2026
Método
Recrutamento digital aleatório (Atlas RDR)
Margem de erro declarada
±1 ponto percentual
Nível de confiança declarado
95%
Registro eleitoral
BR-06380/2026
A AtlasIntel utiliza recrutamento digital durante a

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