De apagão em apagão, Enel quer mais 30 anos no Ceará e em SP

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O que está em jogo
Mesmo sob pressão por falhas na prestação de serviços, a Enel Brasil — braço da italiana Enel — protocolou pedido para renovar antecipadamente por 30 anos suas concessões de distribuição de energia no Ceará, em 24 cidades de São Paulo e em 66 do Rio de Janeiro.

Por que importa
O histórico recente da empresa não é exatamente brilhante. No Ceará, queixas sobre apagões e má qualidade no atendimento se acumulam. Em São Paulo, a companhia virou símbolo de apagões massivos e demorados, que mobilizaram inclusive o governo federal.

Quem manda na Enel
O grupo controlador é o governo da Itália, que detém maioria das ações da Enel por meio do Ministério da Economia e Finanças italiano.

Ou seja: o brasileiro paga, o italiano lucra — e ainda quer mais três décadas no comando.

Entre linhas
A Enel propõe investir R$ 7,4 bilhões até 2027 para garantir a renovação no Ceará. Mas o discurso de modernização não convence parte do setor.

Os investimentos prometidos são os mesmos que deveriam ter sido feitos nos últimos anos — e que muitos usuários dizem nunca ter sentido.

Aspas oficiais

“A companhia manterá seus acionistas e o mercado informados”, disse a Enel em comunicado à CVM.

Faltou mencionar se informará também o consumidor que ficou horas no escuro — no Cariri ou na zona sul de São Paulo.

Trâmite

A Aneel tem até 60 dias para dar parecer sobre os indicadores técnicos e financeiros. Depois, o MME decide. Todo o processo deve durar até 180 dias.

No radar
A Enel quer garantir sua permanência até 2058 em regiões onde a confiança do consumidor despencou.

A pergunta que fica: concessão é um prêmio — ou deveria ser uma conquista por mérito?

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