
Jornalista de O Globo, Miriam Leitão, atribui a crise à falta de decisão de Kassio Nunes Marques e à demora de Edson Fachin. Prorrogação da votação foi determinada quando a apuração já começava.
O fato: A omissão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, e a demora do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, em encaminhar o pedido de prorrogação do horário de votação criaram o impasse sem precedentes vivido pelo Brasil neste domingo (25).
A avaliação é da jornalista Miriam Leitão, de O Globo, que aponta falhas na condução institucional de uma decisão capaz de interferir diretamente no encerramento da votação presidencial.
Como a crise se formou
Segundo Miriam Leitão, a sequência dos acontecimentos revela o desencontro entre as duas cortes.
- TSE: recebeu o pedido de prorrogação do horário eleitoral, mas não tomou decisão.
- STF: também recebeu a solicitação, mas o ministro Edson Fachin só a distribuiu às 16h40.
- Cristiano Zanin: responsável pela análise, autorizou a extensão da votação até as 19h, quando a apuração já estava começando.
Por que importa: A decisão chegou quando algumas seções eleitorais já haviam encerrado a votação, enquanto outras continuavam funcionando. O resultado foi uma situação inédita, com urnas fechadas e abertas submetidas a uma mesma determinação judicial.
A solução discutida no Supremo
Miriam Leitão relata que ministros do STF passaram a discutir uma saída para o impasse.
Segundo a jornalista, um integrante da Corte explicou que a melhor solução seria manter a apuração suspensa até as 19h, preservar o encerramento das urnas já fechadas e permitir que as demais continuassem recebendo votos.
A proposta: realizar a totalização dos votos após o encerramento do horário prorrogado, evitando que a divulgação antecipada dos resultados interferisse na votação ainda em andamento.
O que decidiram Zanin e Kassio Nunes
Em nota, o ministro Cristiano Zanin esclareceu que os votos das seções eleitorais já encerradas seriam computados e totalizados normalmente.
Nas seções ainda abertas, a prorrogação deveria ser cumprida, com a totalização posterior dos votos, conforme as condições estabelecidas na liminar.
O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, divulgou manifestação no mesmo sentido.
A origem do pedido: problemas no transporte de eleitores
A controvérsia começou com solicitações da Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) e da coligação eleitoral ao presidente do TSE.
As legendas pediram a extensão da votação até as 19h, alegando redução da frota de ônibus em municípios baianos.
Entre as cidades mencionadas estavam:
- Salvador;
- Feira de Santana;
- Lauro de Freitas.
Posteriormente, o pedido foi ampliado para outros estados.
Um dado relevante: o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) já havia determinado o restabelecimento integral da frota de ônibus em Salvador, sob pena de multa de R$ 1 milhão por hora.
O que está em jogo
A crise ultrapassa a questão do horário de votação. A sequência de decisões e omissões relatada por Miriam Leitão expõe um problema de coordenação entre as instituições responsáveis pela condução e pela segurança jurídica do processo eleitoral.
A prorrogação determinada quando parte das urnas já estava encerrada abre espaço para questionamentos sobre a igualdade de condições entre os eleitores.
O cenário: a controvérsia reúne elementos que podem alimentar a judicialização do segundo turno. O TSE é a instância natural para os questionamentos eleitorais, mas a dimensão constitucional do impasse e a participação do STF na decisão tornam possível que a disputa termine no Supremo.
Em síntese: a demora das instituições em decidir transformou um problema de transporte de eleitores em uma crise jurídica nacional, justamente no momento mais sensível da eleição presidencial.
Fonte: Parte do texto foi baseado em análise de Miriam Leitão, jornalista de O Globo, neste domingo, 25 de outubro de 2026.







