Dessal e os palpiteiros: uma polêmica vazia. Por Renan Carvalho

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Renan Carvalho é engenheiro civil e diretor-presidente da SPE Águas de Fortaleza, responsável pela construção e operação da Dessal. Foto: Divulgação

Quem entende minimamente de engenharia assiste estarrecido ao imbróglio criado pelas operadoras de telefonia quanto à instalação da Dessal na Praia do Futuro, uma vez que nenhum dos argumentos se sustenta na base da ciência. Neste debate não cabe “eu acho”; nós estamos falando de estudos técnicos com o que há de mais moderno no mundo e não dúvidas: a Praia do Futuro é o melhor local e não oferece nenhum risco.

Vejo pessoas que nunca entraram numa Planta, nem fizeram obras e até sociólogos assombrando o povo que é levado a crer nessa grande farsa. A Dessal é um equipamento de interesse social que vai atender algo em torno de 720 mil pessoas da capital e minimizar um problema histórico do Ceará que é a escassez hídrica. Para quem ainda não entendeu, trata-se da maior planta de dessalinização para consumo humano da América Latina. Diante disso, todos os cearenses deveriam se orgulhar e defender o projeto.

Antes, a polêmica versava sobre a obra no mar e a proximidade das infraestruturas. Após resolvermos esta questão com o afastamento de 500m dos cabos que a própria Anatel já afirmou, sem segredo, que os riscos estão superados, estão contestando as obras em terra, o que também é descabido.

A Cagece já faz obras no continente há décadas, com rede de água e esgoto. Eu mesmo, que estou à frente do projeto, já executei pela Marquise Infraestrutura, obras com muito mais complexidade como o Porto do Pecém, onde implantamos milimetricamente centenas de tirantes de aço a 18m de profundidade, além de grandes concretagens subaquáticas. Também executei a obra de drenagem e pavimentação em concreto na Praia do Futuro, cruzando muitas vezes com esses cabos de fibra e nunca houve nenhum dano e ninguém ficou sem internet.

Não falo porque acho, falo porque faço: A Dessal não oferece nenhum risco aos cabos de telecomunicações. Hoje, o maior risco que corremos é a propagação de desinformação em torno do assunto pelos “astronautas da engenharia”. Nesta polêmica vazia, quem perde é o povo que já perdeu 30 milhões de m³ de água com o atraso das obras e pode perder ainda muito mais.

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