Fruto de processo disruptivo, gestão de Bolsonaro tem desafio social e econômico a superar

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Diretor Executivo da Go Partners Consultoria em Finanças e Negócios. Mestre em Administração com ênfase em Finanças. MBA em Gestão de Negócios. MBA em Gestão Financeira e Controladoria. Professor Universitário.

Por Fabiano Mapurunga
Passamos agora por um dos processos eleitorais mais icônicos da nossa história. Ânimos se exaltaram e confluências ideológicas tomaram espaço íntimo nos corações dos mais fervorosos. Foi um processo que significou uma verdadeira “disrupção” quanto aos modelos tradicionais de se fazer campanha política, onde a internet ganhou uma força penetrante e eficaz para disseminação das propostas, e até mesmo de estratégias, muitas vezes questionáveis, que ganharam importância para a imagem desse ou daquele candidato.
Ao final de tudo, prevaleceu a vontade da maioria e nos cabe trabalhar em conjunto para que o país avance positivamente em todos os seus indicadores. Vamos fazer uma breve análise prospectiva do cenário econômico do nosso país, agora que já temos a definição que Jair Bolsonaro é o nosso novo Presidente da República.
Nos últimos dias antes das eleições, presenciamos uma verdadeira chuva de pesquisas que demonstravam o avanço de cada candidato frente à preferência da população e, paralelo a essas pesquisas, conseguimos perceber o comportamento do dólar e da Bolsa. Tivemos objetivamente a visão, que sempre que as pesquisas demonstravam um avanço positivo de Jair Bolsonaro, havia uma queda no dólar e um aumento de pontuação na bolsa, o que denota uma preferência do mercado pelo presidente eleito.
Nas propostas de governo, Jair Bolsonaro faz uma forte referência ao movimento de privatização, à sua preocupação com a geração de empregos e ao seu intuito em desburocratizar a entrada de novas empresas internacionais em nosso país. Bem como vê no apoio à produção industrial um dos principais pilares para se reduzir as assimetrias sociais em função da sua forte capacidade de geração de emprego.
Considero que teremos um bom avanço logo nos primeiros anos quanto a atração de investimentos internacionais para o nosso país, pois a equipe econômica encabeçada pelo economista Paulo Guedes, tem um discurso muito alinhado com as necessidades de reduções dos custos transacionais deste seguimento, onde se falam na unificação de impostos e de aumentos de incentivos de importação e exportação.
Analiso com cautela a tese de privatização, mas sou favorável à mesma desde que o compromisso desta seja o refazimento do nosso caixa com a injeção do capital das vendas; que os órgãos a serem privatizados não representem posições estratégicas para a nossa soberania; e que com este movimento, possa aumentar a competitividade real dos serviços, melhorando o custo e a qualidade para todos nós cidadãos.
Eles possuem um grande desafio pela frente quanto ao déficit primário pois, conforme o Banco Central, para 2019 este chegará em torno de R$ 139 bilhões, e a relação Dívida / PIB se tornará mais complexa. Na avaliação da futura equipe econômica, uma reorganização e um desaparelhamento das estruturas federais focando a obtenção de resultados financeiros, como em qualquer empresa, alinhados ao espaço de manobra que possuem com a redução dos juros da dívida pública que estão previstos para 2019 na ordem de R$ 489, 3 bilhões (6,5% do PIB), somados aos valores das renúncias tributárias que são R$ 303, 5 bilhões (19% da arrecadação) e ao déficit dos regimes de Previdência Social que estarão na ordem de R$ 288,3 bilhões, poderão resolver a relação. Vejo uma coerência muito salutar nesta linha de pensamento.
O Plano de governo ainda prevê que, a área econômica terá dois organismos basilares: o Ministério da Economia e o Banco Central, ambos com total independência e em consonância de atividades, o que dará mais dinamismos para as decisões, pois seus fluxogramas estarão interagindo, mas sempre em andamento com seus processos independentes. Alinhado com a proposta de enxugamento da máquina pública e com a busca por mais eficiência operacional, a proposta ainda prevê um comando uno e coeso do Ministério da Economia, propondo a este, absorver as atividades hoje desempenhadas pelos Ministérios da Fazenda, Planejamento, Indústria e Comércio, bem como a Secretária Executiva do PPI (Programa de Parcerias de Investimentos). Além de ficar com as instituições financeiras federais sob sua subordinação. Isso comunga perfeitamente com a ideia de enxugamento da máquina pública e com o eficiente monitoramento de resultados que tanto se espera.
Suponho que haverá realmente uma melhora em nossa performance industrial e, por conseguinte, nosso comércio interno e externo ganhará muito com isso. Espera-se que a equipe de relações internacionais, consiga demonstrar que está havendo uma mudança postural em nossa política, e que nosso país estará na vanguarda do crescimento social e econômico. Assim conseguiremos melhorar nossos indicadores de riscos e mais empresas estrangeiras terão interesse em se instalar em nosso país.
As famílias são a base mor de qualquer economia. Sem o consumo das famílias não há giro da moeda e a economia entra em declínio. Vejo com muita positividade este programa econômico e acredito que, no médio prazo, já teremos o avanço no volume de empregos e as distorções sociais irão reduzir, permitindo com que o consumo da base populacional volte a aumentar e o fluxo produtivo nacional possa ser coerentemente absorvido pela demanda interna.
 

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