Leite disse em 2021 que prévias definiriam presidenciável do PSDB

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Foto: Gustavo Mansur

Equipe Focus
focus@focuspoder.com.br

Antes de se tornarem responsáveis por instaurar uma crise interna no PSDB, as prévias do partido foram descritas pelo governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, como o processo definitivo que determinaria o pré-candidato da sigla à Presidência. Em publicação nas redes sociais feita em julho do ano passado, o gaúcho afirmou que, a partir das prévias, a legenda construiria uma candidatura “forte eleitoralmente”. Hoje, o cenário mudou, e uma ala dos tucanos defende que o vencedor da dinâmica, João Doria, abra espaço para Leite ter a primazia na disputa. O principal argumento é que o governador paulista não decola nas pesquisas.

Após recusar convite do PSD e anunciar que deixará o governo e continuará entre os tucanos, Leite telefonou para Doria, como mostrou o Estadão, para reiterar que respeita o resultado das prévias, sinalizando que não tentará tomar seu lugar como pré-candidato. Contudo, o governador gaúcho disse que “não pode controlar o movimento de outros”. Já nesta terça-feira, 29, ele disse à Globonews que as prévias “têm validade, mas não são uma corrente” à qual a sigla tenha de ficar amarrada. A ala do partido que defende reverter o resultado é liderada pelo deputado federal Aécio Neves (MG).

Em meio à indefinição de Leite sobre uma eventual participação nas eleições, até mesmo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi às redes opinar sobre o assunto. Ele defendeu que a sigla mantenha Doria como o nome a ser lançado para o Planalto. “As prévias do PSDB foram realizadas democraticamente. Assim sendo, penso que devem ser respeitadas”, publicou.

Em maio de 2021, levantamento do Estadão mostrou que só três dos 27 diretórios estaduais do PSDB apoiavam a proposta de haver prévias àquela altura. Por fim, o processo acentuou um racha interno do partido, dividindo defensores de Doria e Leite, e acabou fazendo com que a legenda quase perdesse o gaúcho, um quadro importante, para o PSD. Além disso, no dia da votação, o aplicativo contratado para a dinâmica falhou, o que gerou repercussão negativa e por pouco não levou à judicialização da escolha de um pré-candidato.

Agência Estado

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