Líderes evangélicos criticam pastor por intermediar repasse de emendas

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(Foto: Reprodução)

Equipe Focus
focus@focuspoder.com.br

A declaração do pastor José Wellington Bezerra da Costa sobre suas intervenções em repasses de emendas a parlamentares causou desconforto entre líderes evangélicos e provocou críticas Como o Estadão/Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) revelou, José Wellington – um dos líderes mais influentes da Assembleia de Deus no Brasil – admitiu que a igreja tem feito a intermediação do pagamento de emendas para eleger três de seus filhos em São Paulo. “A emenda só vai para o prefeito por intermédio do pedido do pastor da Assembleia de Deus”, afirmou ele, durante reunião de obreiros, na segunda-feira, 7, em São Paulo.

Os filhos do pastor – o deputado federal Paulo Freire Costa (PL-SP), a deputada estadual Marta Costa (PSD) e a vereadora Rute Costa (PSDB) – tiveram acesso a R$ 25 milhões em recursos públicos, no ano passado.

Para o reverendo Valdinei Ferreira, líder da Primeira Igreja Presbiteriana Independente de São Paulo, o episódio expõe uma distorção na relação entre igrejas e políticos. “É mais um sinal de apodrecimento das relações entre religião e política. As igrejas devem cobrar políticas públicas e podem ser parceiras do poder público na execução de determinadas ações, mas não entrar na lógica de um despachante”, disse Ferreira. Para ele, a intermediação de emendas abre margem para corrupção e enriquecimento de líderes religiosos. “Certamente, a igreja ganha o poder, mas perde a credibilidade.”

‘Foco’

Nas redes sociais, o pastor Carlito Paes – da Igreja da Cidade, de São José dos Campos (SP) – também criticou o comportamento do religioso. “Pastores e igrejas, acordem, ainda temos tempo de ajustar o foco para o real Evangelho e para igreja, temos tantas oportunidades!”, escreveu Paes, que votou em Jair Bolsonaro, em 2018, mas hoje não apoia mais o presidente.

A participação de um pastor na escolha do destino das emendas parlamentares não é vista como crime, segundo procuradores ouvidos pela reportagem. O caso de José Wellington, porém, pode ter consequências graves se uma investigação constatar desvio de recursos públicos.

O líder da bancada evangélica no Congresso, deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), defendeu a prerrogativa de religiosos atenderem suas bases. “Meu pastor nunca me indicou um único município ou instituição para que fosse enviado um real de emenda. Mas isso é uma decisão do parlamentar, de seus líderes e suas bases”, disse ele, que é ligado à Assembleia de Deus Vitória em Cristo, liderada por Silas Malafaia.

 

Agência Estado

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