Mistura de negacionismo com incompetência deixa Brasil no colo da China e da Rússia

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Por Fábio Campos
fabiocampos@focuspoder.com.br

No laboratório mal-ajambrado que mistura negacionismo com a incompetência a resultante só pode ser muito ruim. O Governo que nega obviedades deixa de fazer… o óbvio. No caso da pandemia, a vacina foi (e é) desde sempre o grande objetivo a ser alcançado. Enquanto não se chegava ao imunizante, a óbvia tarefa a ser feita era organizar o País em um esforço conjunto das instituições públicas (Governo Federal à frente) para combater a doença. Pelo visto, nem uma coisa, nem outra.

Atropelado pelo governador de São Paulo, o país à parte que articulou com um laboratório chinês sua própria vacina, a Coronavac, eis que o governo de Jair Bolsonaro agora se mexe atabalhoadamente para conseguir pelo menos a vacina russa, que recebeu o batismo de Sputinik-V.

Graduado e pós-graduado em negar concretudes e evidências, Bolsonaro está nas cordas. Um direto no queixo, pernas cabaleantes e visão turva. A iminência de um nocaute é algo que se sente. E o que se sente, não se nega. Por isso, e somente por isso, Bolsonaro resolveu se mexer. Afinal, a palavra impeachment deixou de ser algo distante no horizonte.

O fato é que o Ministério da Saúde corre para viabilizar a química dos russos. No Brasil, a Sputinik é fruto de um acordo da União Química, laboratório privado tão brasileiro quanto o Butatan, com um laboratório russo que trabalha sob as bençãos do camarada Putin. Por aqui, essa vacina ainda tem que cumprir os mesmos critérios atendidos pela Coronavac. Creiam, será até mais rápido. afinal, agora Brasília quer.

No fim das contas, ficamos assim: picada no braço dos brasileiros, por enquanto, só com a vacina chinesa fabricada em parceria com o Butantan. Porém, caminha-se para a disponibilização da Sputinik como a outra opção. No mercado mundial, são os imunizantes com resultados menos eficientes. Vai dar para o gasto.

E olha que beleza: China e Rússia são partes dos Brics, o grupo de países emergentes do qual o Brasil é uma das peças. Irônico, o destino pregou uma peça em Bolsonaro, cujo Governo, na prática, negou os Brics.

 

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