Moro afirma que sofreu ‘sabotagem’ na pasta da Justiça

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Sergio Moro | Foto: Ed Alves/CB/D.A Press
Equipe Focus
focus@focuspoder.com.br

Pré-candidato do Podemos à Presidência, o ex-juiz e ex-ministro da Justiça Sérgio Moro afirmou que deixou o governo Bolsonaro para não ser “cúmplice de coisa errada” e que passou a sofrer “sabotagem”. A declaração foi dada nesta quarta-feira, 29, em entrevista à rádio Capital FM, de Mato Grosso.

“Logo após que eu havia entrado, eu não tive mais o apoio do presidente da República, e, a partir de determinado momento, eu passei a sofrer até sabotagem”, afirmou o ex-juiz. “Quando chegou o momento que era me dada a escolha ‘ou você fica como cúmplice de coisa errada ou você sai’, eu preferi sair”, disse.

Moro deixou o governo Bolsonaro em abril do ano passado e acusou o presidente de interferir na Polícia Federal para ter acesso a informações sigilosas. “O próprio presidente reclamou esses dias dizendo que eu não protegia a família dele da Polícia Federal, da Receita Federal, o que é um absurdo. Ninguém tem que ser protegido de nada. Se alguém cometeu coisa errada, tem que ser investigado e a pessoa tem que ser responsabilizada”, disse.

Bolsonaro nega que tenha interferido na Polícia Federal. Em depoimento, o presidente afirmou que “jamais teve qualquer intenção” de interferir na PF quando “pediu” a Moro as mudanças na diretoria-geral e nas superintendências da corporação.

Ao criticar o atual governo na entrevista, o ex-ministro afirmou que houve um “desmantelamento do combate à corrupção” no Brasil, e usou essa fala como gancho para criticar também o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que lidera as pesquisas de intenção de voto para a eleição presidencial de 2022.

“O presidente Lula está aí solto porque houve enfraquecimento do combate à corrupção, e essa responsabilidade é do atual presidente Bolsonaro”, disse.

YOUSSEF

Na entrevista, Moro saiu em defesa de seu aliado, o senador Alvaro Dias (Podemos-PR), que recebeu doação eleitoral do doleiro Alberto Youssef, investigado na Lava Jato. “Eu nem conhecia o senador. Ninguém sabia quem era Alberto Youssef na época (final dos anos 1990)”, disse.

A doação foi divulgada pelo jornal Folha de S.Paulo. Segundo o jornal, Youssef ajudou a financiar uma das campanhas eleitorais de Dias, em 1998, na época em que o senador estava no PSDB.

A doação no valor de R$ 21 mil (o equivalente a R$ 88 mil em valores atualizados) foi feita por meio de duas empresas do doleiro, um dos principais operadores identificados na Lava Jato

Procurado, o senador Alvaro Dias afirmou que as denúncias de financiamento de campanha com dinheiro público foram arquivadas pelo Ministério Público do Paraná, em 2004, após a não confirmação dos fatos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Agência Estado

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