
Átila Varela
atila@focuspoder.com.br
O ex-ministro da Justiça de Bolsonaro, Sergio Moro, falou para uma plateia em sua grande maioria composta por empresários e executivos filiados ou convidados do Lide Ceará nesta terça-feira, 8.
Tudo muito protocolar, como manda o figurino dessas situações. Sorrisos, apertos de mãos e fotos. Muitas fotos. Moro se manteve discreto, sem reproduzir o peculiar comportamento do político tradicional, mas sempre sorridente.
O seleto grupo foi ao hotel Marquise ouvir o polêmico pré-candidato do Podemos. Saber o que Moro faria para retirar o País do atoleiro. Ouvir uma agenda sólida para o plano econômico.
Quem estava presente viu Moro tirar sua metralhadora do bolso e atirar contra Bolsonaro e Lula, seus adversários políticos rumo ao Palácio do Planalto. Nem mencionou Ciro. É estratégico para quem briga pelo mesmo espaço. Vale lembrar que o pedetista chama insistentemente o ex-juiz para o debate. Quer colocar Moro nas cordas do ringue.
Destacou que o Governo Bolsonaro não deu certo. “Eu me desapontei”, disse para a plateia. Em suas palavras, “um Governo que contribuiu para o desmantelamento do País”. Podem apostar: havia gente lá que não gostou do que ouviu.
Do outro lado, a mira para o Governo Lula. “É o passado que não deu certo. Produziu os maiores escândalos de corrupção e nos entregou a grande recessão de 2014”. Chamou de “erro do Judiciário” a soltura do petista.
Confiante, acredita que pode chegar ao segundo turno. “Estou em terceiro lugar nas pesquisas. Tem muito caminho pela frente, com imenso potencial de voto. Temos algo em nosso favor que os outros não tem. A verdade”, declarou.
O ex-juiz ainda tirou a toga de “candidato anticorrupção”. Quis passar a imagem de um homem que vai atuar em múltiplas frentes. “Temos credibilidade”.
Era esperado que Moro falasse da Segurança Pública. Apresentou números. Mostrou que o Ceará, quando solapado pelo motim dos policiais militares, foi socorrido pelo Ministério da Justiça. Nas ações pontuadas, o envio da Força Nacional, o contingente da PF e transferência de lideranças criminosas para presídios federais em outros Estados. “Em 2019, o Ceará teve uma queda abrupta dos indicadores criminais. Tudo resultado do Ministério da Justiça? Não. Mas eu tenho certeza que a aquela ação, além de ter debelado a crise de segurança, contribuiu para a queda”, explicou.
Volta e meia, Bolsonaro era o assunto. Detalhou que havia sido sabotado pelo presidente. Relembrou a possível indicação ao STF. “Se você precisa vender sua alma para viver em um cargo público, eu prefiro ser fiel. Eu teria traído a população brasileira. Eu não me vendo por cargo”.
Combustíveis
Com a gasolina acima de R$ 6 no Ceará, Moro foi questionado sobre quais ações tomaria acerca dos combustíveis. “O Brasil precisa ter uma discussão séria da carga tributária sobre insumos que acabam tendo um impacto no desempenho econômico. Os insumos são variados, mas todo mundo usa energia e combustíveis”, respondeu.
“Sou totalmente contrário a discutir esses temas de maneira provisória. Podemos isso no âmbito da reforma tributária para reduzirmos essa carga tributária, mas com responsabilidade fiscal. Você não pode flertar com o aumento descontrolado da dívida pública. A minha visão sobre a PEC dos Combustíveis é uma gambiarra fiscal que não soluciona o problema que está aí”, disparou.
Notadamente Moro estudou sobre economia, mas recorria ao indolente economês. Coisa de quem ainda está aprendendo o beabá nessa área e acaba repetindo o que ouve dos assessores. Melhor que Bolsonaro ao não recorrer a um Posto Ipiranga.
Adoção de crianças por casais homoafetivos
Uma pergunta que deixou Moro sem jeito surgiu da plateia (provavelmente um conservador que não apoia o casamento entre pessoas do mesmo sexo) tratou da adoção de crianças por casais homoafetivos:
“Acho que nós temos que respeitar as pessoas independente de suas preferências, tanto religiosas, como preferências de costumes, sexuais. Eu tenho vários amigos que são (homossexuais) e são pessoas ótimas. Isso nem se coloca em consideração no nosso relacionamento. Se houver uma avaliação, seja um casal heterossexual ou homoafetivo de que são aptos e têm condições de cuidar de crianças e adolescentes, eu não vejo problemas não. Tem que ter uma avaliação para saber em que lar se coloca uma criança para evitar qualquer espécie de problema, mas isso é válido para ambos os tipos de casais.”
Convenceu?
Pelos comentários de alguns empresários, Bolsonaro deveria ser enxotado do poder o mais rápido possível. Moro, no entanto, está longe de ser unanimidade. “Vamos ver aí”, afirmou com insegurança um executivo sobre a possibilidade de votar no pré-candidato do Podemos. “É melhor que o PT, né?”, declarou outro.







