Na contramão do exterior, dólar fecha a R$ 4,9151, praticamente estável

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Foto: Freepik

Em sessão instável e marcada por trocas de sinal, o dólar à vista encerrou cotado a R$ 4,9151, praticamente estável (-0,01%) As oscilações ao longo do pregão ocorreram entre margens estreitas, com variação de pouco mais de quatro centavos entre mínima (R$ 4,9005) e máxima (R$ 4,9410). Lá fora, o dólar avançou em comparação à maioria das divisas fortes e emergentes, em meio ao aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio e à divulgação da ata do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA).

Segundo operadores, após o avanço de 1,29% do dólar no mercado doméstico ontem, investidores adotaram uma postura mais cautelosa, evitando apostas mais contundentes. Ruídos políticos que causaram apreensão ontem, após veto do presidente Lula ao cronograma de pagamento de emendas parlamentares, ficaram hoje em segundo plano.

O tom positivo do Ibovespa, que voltou a superar os 133 mil pontos, na contramão das bolsas de Nova York, e a valorização das commodities, em especial do petróleo, contribuíram para que o real não fosse muito contaminado pela maré externa. O contrato do petróleo tipo Brent para março fechou em alta de 3,11%, cotado US$ 78,25 o barril.

Principal evento do dia, a divulgação da ata do Fed provocou certa volatilidade. Em um primeiro momento, houve reação negativa, com aprofundamento das perdas das bolsas em Nova York, máxima do dólar em relação ao euro e virada nas taxas dos Treasuries para campo positivo. Logo em seguida, contudo, os efeitos negativos se dissiparam, com mercados acionários e a moeda americana voltando aos níveis vistos antes da divulgação do documento, e os retornos dos Treasuries passando a recuar.

A ata revelou que os dirigentes do BC americano veem a taxa básica de juros “no pico ou perto dele”, com riscos mais equilibrados entre inflação e emprego. A expectativa é de arrefecimento da atividade econômica neste ano e um mercado de trabalho, ainda muito apertado, rumo a um nível mais equilibrado Apesar do grau elevado de incerteza, vislumbra-se uma política monetária menos restritiva, com possibilidade de cortes de juros em 2024.

Na plataforma da CME, as chances de uma redução dos Fed Funds em março permanecem amplamente majoritárias, acima de 70%, embora tenham apresentado leve queda após a divulgação da ata. Foi justamente a aposta de redução dos juros ainda no primeiro trimestre deste ano que embalou um rali de ativos de risco nos últimos meses de 2023. A curva de juros americano ainda embute uma redução de 150 pontos-base da taxa básica neste ano.

Por aqui, o BC divulgou pela manhã que a conta corrente apresentou déficit de US$ 1,553 bilhão em novembro, bem acima da mediana de projeções Broadcast (-US$ 500 milhões). Mesmo assim, foi o menor saldo negativo para os meses de novembro desde 2016. No ano, até novembro, a conta corrente apresenta déficit de US$ 22,2 bilhões. Já o resultado do Investimento Estrangeiro no País (IDP) foi de US$ 7,780 bilhões em novembro, o melhor para o mês desde 2019 e acima do teto das estimativas de Projeções Broadcast (US$ 7,50 bilhões).

Segundo o economista-chefe do Banco Pine, Cristiano Oliveira, os números divulgados hoje confirmam, de maneira geral, um cenário de robustez das contas externas que deve continuar a beneficiar o real na comparação com outras moedas emergentes. “Vemos o dólar fechar o ano em torno de R$ 4,75, após se aproximar de R$ 4,50 em meados do ano”, afirma Oliveira.

Agência Estado

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