No Ceará, um vendaval atravessou a janela partidária

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Enquanto o mundo cristão celebrava a paixão e morte de Cristo na última sexta (03/04), o mundo político brasileiro encerrava os últimos acertos na “janela partidária” – aquela brecha para que representantes políticos, por diversas razões, saiam das siglas pelas quais foram eleitos sem risco de perderem o mandato.

No Brasil como um todo, 115 dos 513 deputados federais trocaram de partido, numa dança das cadeiras que turbinou o PODEMOS (que passa a ter 27 deputados) e o PL (que passa a ter 96 federais, e, por aqui, passa a ter a maioria dos vereadores em Fortaleza) – dor de cabeça para Evandro Leitão [PT]).

Ainda nacionalmente, o PDT teve o pior saldo negativo: 6 deputados. O PT de Lula não ganhou nenhum.

Contudo, registre-se o ganho simbólico pela filiação da ex-senadora Kátia Abreu, representante do agro – o que lhe rendeu, nos áureos tempos do petismo, o apelido “Kátia Motossera“.

No Ceará o que se viu foi um verdadeiro vendaval: 16 deputados estaduais, 7 federais e 6 vereadores migraram de partido.

Minguamento quase que completo da bancada estadual do PDT (perdeu 3 dos 4 – na Câmara, perdeu 4 dos 5) e crescimento considerável do PSDB, passando de 1 para 7 (com a possível expectativa da candidatura de Ciro Gomes, cria expectativa de poder). Até o PT de Camilo e Elmano teve saldo negativo, com uma deputada a menos na ALECE e uma a menos na Câmara (ninguém menos que Luizianne Lins). Por sua vez, o PSB de Cid Gomes ganhou mais 2 assentos, passando a 11 deputados estaduais (além de mais 2 federais, passando a 3), e o MDB de Eunício ganhou mais 1, passando a ter 4.

O caso mais intrigante é do o UNIÃO: perdeu os 4 deputados estaduais, um federal e um vereador de Fortaleza.

Isso depois do dilema envolvendo a vice-governadora, Jade Romero, que acabou se filiando ao PT depois de ter anunciado e garantido sua filiação ao UNIÃO e da saída em bloco do grupo liderado por Roberto Pessoa; o desfecho foi uma ainda incompreensível distribuição de poder interno entre três sujeitos, dos quais apenas um é da oposição – afinal, Capitão Wagner presidirá o quê?

Para terminar o vendaval, três notas:

1- Chagas Vieira optou pelo PDT, sigla que já abrigou os Ferreira Gomes e que deu sustentação a Camilo e Elmano na ALECE. Missão de returbinar a sigla?

2-Moroni Torgan ressurgiu, filiando-se ao PL. Tendo sido o grande nome da direita em Fortaleza no passado recente, terá fidelizado seu eleitor frente a uma oferta cada vez mais ampla de políticos “policialiescos”?

3-Luizianne Lins pôs fim à suas mágoas e aos descontentamentos com o PT, trocando-o pela REDE. Nem bem sua saída era noticiada, e o par Camilo-Elmano pousava, sorridente, com Jade, a nova petista da terra de Alencar.

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