O apoio de Bolsonaro é veneno para seus candidatos?

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Jair Bolsonaro. Foto: Agência Brasil.

Por Fábio Campos
fabiocampos@focuspoder.com.br

Vem ganhando vigor a avaliação de que o apoio de Jair Bolsonaro não faz bem à saúde eleitoral dos seus escolhidos. O caso do Rio de Janeiro e de São Paulo são exemplares dessa linha de pensamento. No Rio, o prefeito Marcelo Crivella tenta a reeleição, mas não consegue superar a faixa dos 15% nas pesquisas. Em São Paulo, Celso Russomano, pela terceira vez, começa como líder folgado e termina em queda meteórica.

Talvez seja um julgamento apressado afirmar que o apoio de Bolsonaro é tóxico. Em eleições municipais, a realidade local costuma se impor. A influência de um líder nacional é relativa. No caso do Rio, o problema de Crivella parece ser o próprio Crivella, com sua gestão incrivelmente mal avaliada (62% de ruim/péssimo). No caso de São Paulo, a trajetória de Russomano é uma saga repetida.

Mas, é importante lembrar: a avaliação negativa de Jair Bolsonaro nas duas maiores cidades do País é muito alta e se mantém crescente. Ou seja, há sim o risco de seu apoio influir negativamente e poucas chances de influir positivamente.

Porém, há casos em que a influência negativa do presidente parece se fazer valer com força. Vejam a situação em Recife. A candidata Delegada Patrícia virou um estrela cadente (aparece, brilha e logo some) depois que Bolsonaro declarou apoio público ao seu nome.

Como bem me lembrou o publicitário Ricardo Alcântara, Pernambuco é a terra de Lula. O Estado e sua capital foram muito beneficiados por Lula presidente. Lá, as duas candidaturas líderes (os primos João Campos e Marília Arraes) estão no campo da esquerda e batem bumbo contra o bosonarismo. Ou seja, as circunstâncias locais também definem os rumos dos acontecimentos

A coisa acontece de uma forma em Recife, mas não necessariamente se repete em Fortaleza com sua realidade específica. Aqui, o Capitão Wagner recebeu o apoio público de Bolsonaro, mas não há sinais nas pesquisas de que a candidatura do deputado tenha sofrido reveses com a fala do presidente.

Os números do último Datafolha indicam que a candidatura do Capitão Wagner (Pros) se estabilizou na faixa dos 30%. Porém, no segundo turno as circunstâncias podem mudar. No embate mais direto entre dois concorrentes, é provável que o apoio de um nome nacional muito rejeitado na cidade passe a ter relevância e influencie a escolha dos eleitores.

 

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