O Capitalismo é estático? Por Igor Lucena

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Articulista do Focus, Igor Macedo de Lucena é economista e empresário. Professor do curso de Ciências Econômicas da UniFanor Wyden; Fellow Associate of the Chatham House – the Royal Institute of International Affairs  e Membre Associé du IFRI – Institut Français des Relations Internationales.

Em sua mais recente obra, o economista Branko Milanović, professor da London School of Economics e um dos mais renomados estudiosos sobre desigualdade, demonstra como o capitalismo não é um sistema estático e como ao longo do tempo ele evoluiu e alterou características que impactam diretamente no desenvolvimento das sociedades e na desigualdade da população. Para Milanović, o mundo hoje possui três tipos de capitalismo, que coexistem de acordo com os países e com os continentes em que estão inseridos.

“O primeiro é o capitalismo clássico, aquele no qual os trabalhadores têm sua renda apenas do trabalho, os capitalistas têm renda apenas do capital e todos os capitalistas são mais ricos do que todos os trabalhadores; isto é, as distribuições de renda dos trabalhadores e dos capitalistas não se sobrepõem. A redistribuição é mínima por meio de impostos e transferências. A desigualdade interpessoal é elevada, e as vantagens da riqueza são transmitidas de geração em geração. Tal modelo também é conhecido como capitalismo Ricardiano-Marxista.

Já o capitalismo socialdemocrata é aquele em que os trabalhadores têm sua renda apenas do trabalho e os capitalistas têm sua renda apenas do capital, mas nem todos os capitalistas são mais ricos que todos os trabalhadores. Há uma redistribuição significativa por meio do sistema de impostos e transferências, incluindo saúde pública gratuita ou acessível e Educação universal. Nesse modelo, a desigualdade interpessoal é moderada. O acesso é relativamente igual à Educação e permite a mobilidade de renda entre gerações.

No Capitalismo meritocrático liberal, a maioria das pessoas obtém alguma renda do trabalho e do capital. A parcela da renda de capital aumenta com o nível de renda, de modo que os extremamente ricos têm principalmente renda de capital. Aqui, os mais ricos (digamos, os 5% mais ricos) também têm uma renda de trabalho substancial. O aumento da participação do capital, à medida que as sociedades ficam mais ricas e há associação de altos rendimentos de capital e trabalho nos mesmos indivíduos, se traduzem em maior desigualdade interpessoal. O sistema de impostos e transferências redistribui uma parte significativa da renda total, mas o separatismo social, pelo qual os ricos preferem investir em sistemas privados de Educação e saúde, torna-se mais importante. A mobilidade intergeracional é menor que no capitalismo socialdemocrata.”

É interessante analisar que o foco principal da evolução dos modelos de capitalismo ocorre sobre a dinamicidade de como a geração de renda e riqueza se altera em cada modelo e como a intervenção do Estado existe para diminuir desigualdades ou de alguma maneira promove a possibilidade de haver equidade entre as gerações em um longo prazo. É importante lembrar que os rendimentos do capital e do trabalho têm de fato origens diferentes, mas o que efetivamente demonstra a evolução da riqueza nos diferentes modelos de capitalismo é a capacidade de combinar rendas do capital e do trabalho (altamente especializado) para a ampliação da riqueza.

Isso significa que, devido à evolução crescente da desigualdade, principalmente no Brasil, é muito provável que testemunhemos mais evoluções do capitalismo com modelos que serão capazes de melhor atender às necessidades humanas, isso sem interferir no “espírito animal” do capitalismo e na produção de riqueza para a humanidade. Que ocorra o melhor para nós brasileiros!

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