O Ceará Pacífico versus o Ceará em guerra

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Leandro Vasques
Advogado Criminal
Mestre em Direito- UFPE e Conselheiro Federal da Escola Nacional da Advocacia – ENA

Leandro Vasques
Post Convidado
Sabemos que estatísticas bem manipuladas revelam qualquer coisa que se queira. No entanto, não importa que números o Governo do Estado apresente como demonstrativo do esforço que tem empreendido em prol da segurança pública, pois alguns dados são, infelizmente, incontornáveis.
Nos três primeiros meses de 2018, o Ceará contou 1.344 Crimes Violentos, Letais e Intencionais (CVLIs), uma macabra cifra que engloba homicídios, latrocínios, lesões corporais que resultam em óbito, bem como mortes violentas ocorridas em unidades prisionais ou em contexto de intervenção policial. Em comparação com o primeiro trimestre de 2017, houve um aumento de 37,7 por cento. Considerando apenas o mês de março, com 428 assassinatos, houve um aumento de 19,5 por cento em relação ao ano passado, com 358.
Mas como, pode perguntar o incrédulo leitor, se nunca houve tanto investimento em segurança pública? Como, se o “Ceará Pacífico” parecia tão promissor? A resposta parece ser só uma: estratégias de enfrentamento equivocadas e – o mais grave – insistência nos erros. Além disso, transmitiu-se à população a falsa sensação de que estávamos no caminho certo, enquanto o crime organizado se enraizava perigosamente sob as barbas das forças de segurança. É como se um médico, vendo os péssimos resultados de um exame, dissesse ao paciente que está tudo bem e deixasse de adotar o tratamento adequado. E o doente, já na agonia crepuscular do estado terminal, se perguntasse como a doença pôde evoluir tão inesperadamente…
Para ficar apenas num exemplo, o Estado contratou cinco vezes mais policiais militares que policiais civis, ignorando que é a polícia civil a responsável pela investigação criminal. E mais: dados da própria Secretaria de Planejamento do Estado apontam para o investimento em “zero reais” para a rubrica de “inteligência policial”.
Humildade, além de essencial, é urgente e inadiável. O “Ceará Pacífico” – concebido em conjunto com um instituto paulista ao custo de quase dois milhões de reais e com dispensa de licitação – não deu certo. É preciso que se diga que as suas diretrizes, apresentadas em cartilhas genéricas, aproximam-se mais das nuvens que da realidade sangrenta das nossas ruas. O “Ceará em Guerra”, definitivamente, não consegue lutar com as armas fornecidas pelo “Ceará Pacífico”.
 

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