O Porto do Pecém e a industrialização do Ceará

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Thiago Fenelon é empresário e presidente da Associação Comercial, Industrial e Serviços de Caucaia (Acisc)

Por Thiago Fenelon
Post convidado

A industrialização do Ceará, promovida com mais vigor  a partir do final dos anos 1980, atingiu seu ápice com a inauguração do Porto do Pecém em 2002. O terminal portuário faz parte do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP), situado nos municípios de Caucaia e São Gonçalo do Amarante, ambos localizados na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), instalado em uma área de 13.337 hectares.
A proximidade do Porto do Pecém com os Estados Unidos e Europa, fez com que empresas de ponta, como é o caso da siderurgia, virassem seus olhos para o complexo que promete ser uma nova alavanca no processo de industrialização do Estado do Ceará.
Hoje, por exemplo, a Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP) é responsável por mais de 50% de tudo o que o Ceará exporta para o restante do mundo. De janeiro a julho de 2017 exportou 1,1 bilhão de dólares, correspondendo a 0,89% de todas as exportações brasileiras.
Como se vê, nesse novo cenário, o Ceará passa a ter uma importância visível na economia do Brasil. O Estado que já foi visto como um modelo negativo de miséria e penúria começa a respirar mais aliviado com essas mudanças estratégicas em sua economia.  Produtos semimanufaturados de ferro e aço, já correspondem por 49.46% de todos os bens exportados via Porto do Pecém.
Assim, podemos observar que a nova onda de industrialização do Ceará é uma resposta para as novas demandas nacionais e mundiais. Com essa abordagem o Estado deixa de ser espectador da história e passa a concretizar sua busca pela sustentabilidade social e econômica. 
Para essa nova etapa de industrialização as perspectivas ainda são melhores. No ano passado o Porto do Pecém já respondeu por mais de 12% de toda a carga movimentada pelo Porto de Santos (SP). Ao todo o sistema portuário cearense movimentou aproximadamente 16 milhões de toneladas de carga. Essas exportações subiram 95% em relação a 2016 que foi algo m torno de 4,5 milhões de toneladas. Com relação a movimentação de recursos, no ano passado o Porto do Pecém faturou R$ 144 milhões, ou seja, 62,2% superior ao que foi faturado em 2016.
Isso demonstra que uma participação do Estado do Ceará, mobilizando infraestrutura e organização aliado a uma forte presença da iniciativa privada vem determinando uma nova dinâmica nas finanças dos cofres cearenses. E essa industrialização também beneficiará os pequenos empresários situados no entorno do Complexo Portuário. 
Em seu primeiro fórum de fornecedores a AECIPP, Associação das Empresas do Complexo Industrial e Portuário do Pecém, criou um espaço para que empreendedores e gestores de pequenos negócios de Caucaia, São Gonçalo do Amarante e demais cidades, participem do processo de industrialização e movimentação de recursos do empreendimento. Assim, as pequenas empresas podem fazer parte do desenvolvimento econômico do Ceará, com o fornecimento de produtos e serviços para as empresas de grande porte, que operam no sistema portuário do Pecém. 
Assim, estamos vivendo novos tempos de nossa História. O Ceará não é mais só a visão moribunda da seca e da miséria. Algo está sendo gestado para modificar esse fatalismo. A industrialização do Estado se torna uma realidade concreta. Hoje, não há mais como negar que essa seja a saída para seus mais profundos dilemas.
No cenário nacional e mundial, o Estado do Ceará firma-se como um passo seguro no desenvolvimento econômico desses dois polos. 
Nesse momento, as empresas de pequeno e médio porte servirão para agregar maior valor e distribuição desses recursos. A participação delas no desenvolvimento das e divisão das finanças é fator indispensável para a geração de mais empregos e rendas. 
Com esse compromisso assumido, as empresas de pequeno e médio porte passam a servir de elo entre os grandes empreendimentos e os empreendedores que, no seu dia a dia, refazem as necessidades da economia e das finanças. 

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