Pague Menos vê pouco impacto de nova lei e rejeita farmácias de supermercados

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Pague Menos. Foto: Divulgação

Por que importa: A Pague Menos avalia que a nova legislação que autorizou farmácias dentro de supermercados não deve alterar significativamente a dinâmica do setor. A rede afirma ter recusado propostas para adquirir operações farmacêuticas instaladas em supermercados por considerar o modelo pouco atrativo economicamente, segundo informações da Bloomberg Línea.

O que aconteceu
A Lei 15.357, sancionada em março deste ano, permitiu a instalação de farmácias em supermercados, mas impôs exigências como espaço físico separado, caixa exclusivo e presença permanente de farmacêutico responsável. Na prática, o modelo aprovado pelo Congresso exige a operação de uma drogaria completa dentro do supermercado, aumentando custos e complexidade operacional.

O que diz a Pague Menos
O CFO da empresa, Luiz Novais, afirmou que a companhia recebeu propostas para comprar operações farmacêuticas de grandes redes supermercadistas, mas rejeitou todas. Segundo ele, o faturamento médio dessas unidades não compensa os investimentos necessários para adequação às exigências legais. Além disso, a empresa avalia que o modelo cria obstáculos na experiência de compra, já que o consumidor precisa acessar uma estrutura separada para adquirir medicamentos.

Nas entrelinhas
A avaliação interna da Pague Menos é que a lei acabou preservando as barreiras de entrada do setor farmacêutico. O texto aprovado ficou mais restritivo do que desejavam os supermercadistas, que defendiam a venda de medicamentos isentos de prescrição diretamente nas gôndolas.

O tamanho do mercado
O varejo farmacêutico brasileiro movimentou R$ 241,6 bilhões em 2025, segundo a IQVIA, crescimento de 11,3% em relação ao ano anterior. A expectativa é de expansão média anual de 8,5% até 2027, impulsionada principalmente pelas canetas para emagrecimento da classe GLP-1 e pelo crescimento das vendas digitais.

O caminho mais provável

Para especialistas da Peers Consulting, a alternativa mais viável para os supermercados é firmar convênios com redes farmacêuticas já licenciadas. O modelo reduz riscos regulatórios e evita investimentos elevados em estrutura, climatização, segurança e contratação de farmacêuticos.

O que observar
Mesmo com a nova legislação, analistas continuam enxergando um cenário favorável para as grandes redes farmacêuticas. O JPMorgan destacou recentemente o crescimento de dois dígitos nas vendas do setor e vê potencial adicional ligado à expansão dos medicamentos GLP-1, mercado no qual Pague Menos e RD Saúde estão bem posicionadas.

Bottom line: A lei abriu espaço para farmácias dentro de supermercados, mas as exigências regulatórias reduziram parte do impacto esperado. Para a Pague Menos, o novo modelo não representa uma ameaça relevante e pode até reforçar a vantagem competitiva das grandes redes já estabelecidas.

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