Partido da base de Elmano questiona no STF lei que permite drones na pulverização agrícola

COMPARTILHE A NOTÍCIA

Fachada do edifício sede do Supremo Tribunal Federal – STF

Partido da base de Elmano de Freitas, o Psol entrou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no Supremo Tribunal Federal (STF) contra lei do Ceará que autoriza a pulverização de defensivos agricolas por meio de drones. A norma, aprovada em 2024, alterou uma legislação anterior que proibia a aplicação aérea desses produtos no estado.

O PSOL argumenta que a regulamentação viola princípios constitucionais relacionados à saúde pública e ao meio ambiente, além de questionar a competência dos estados para legislar sobre o tema. A decisão do STF sobre a ADI terá impactos significativos na regulamentação do uso de drones na agricultura no Brasil.

🔴 Entenda o caso  
O uso de drones para pulverização de agrotóxicos tem se tornado uma prática crescente na agricultura moderna, sendo promovido como uma inovação que pode aumentar a eficiência e a precisão no controle de pragas. No entanto, a introdução dessa tecnologia no Ceará gerou controvérsias, especialmente em relação aos impactos ambientais e à saúde pública. Em dezembro de 2024, o estado aprovou uma lei que permite o uso de drones para aplicar agrotóxicos, criando uma exceção à proibição anterior da pulverização aérea. Esse movimento gerou um embate jurídico e político, com o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) questionando a constitucionalidade da norma perante o Supremo Tribunal Federal (STF). A Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7794, distribuída ao ministro Luiz Fux, busca reverter essa decisão, alegando que a nova legislação contraria os princípios de proteção à vida e ao meio ambiente.

🔴 Mudanças na legislação
A Lei estadual 19.135/2024 alterou a legislação anterior, datada de 2019, que já havia sido declarada constitucional pelo STF em 2023, ao proibir a pulverização aérea de agrotóxicos no Ceará. A recente mudança autoriza o uso de drones, desde que algumas condições sejam atendidas, como a necessidade de um agrônomo responsável pela orientação, a limitação da altura de aplicação a até 2 metros da cultura e a velocidade do vento abaixo de 10 km/h.

🔴 Argumentos do PSOL
O PSOL sustenta que a regulação sobre pulverização de agrotóxicos é uma competência exclusiva da União e não dos estados, o que, segundo o partido, torna a nova legislação cearense inconstitucional. Além disso, o partido argumenta que a norma não leva em consideração referências técnicas adequadas, o que poderia colocar a saúde da população e o meio ambiente em risco. Para o PSOL, a permissão para o uso de drones para pulverização é incompatível com os princípios de proteção à vida e ao meio ambiente, previstos na Constituição.

🔴 Implicações e riscos
A principal preocupação do PSOL gira em torno dos riscos à saúde pública e ao meio ambiente. A pulverização aérea de agrotóxicos, mesmo com a utilização de drones e sob normas restritivas, ainda apresenta potencial de contaminação de áreas fora da cultura agrícola, colocando em risco tanto os seres humanos quanto os ecossistemas locais. O partido aponta que a ausência de fundamentos técnicos robustos para justificar a liberação da prática pode amplificar esses riscos.

🔴 Vá mais fundo
O debate sobre a pulverização de agrotóxicos com drones vai além da questão jurídica e envolve uma série de complexidades ambientais, sociais e tecnológicas. A utilização de drones no controle de pragas e na aplicação de produtos químicos na agricultura, por um lado, é vista como uma inovação que pode melhorar a precisão e a eficiência, reduzindo o uso excessivo de agrotóxicos e aumentando a produtividade agrícola. Por outro lado, o PSOL e diversos especialistas alertam para os potenciais efeitos adversos dessa tecnologia, que podem ser exacerbados se não forem bem regulados.

Um dos pontos críticos é a necessidade de critérios técnicos mais robustos para a utilização de drones na pulverização. A norma cearense exige a orientação de um agrônomo e algumas condições operacionais, como a limitação de altura e velocidade do vento, mas ainda há um debate intenso sobre a adequação dessas medidas para garantir a segurança. Em muitas regiões, o uso indiscriminado de agrotóxicos já tem causado impactos negativos no meio ambiente, como a contaminação de corpos d’água e a redução da biodiversidade. A introdução de drones, com sua capacidade de alcançar áreas de difícil acesso e dispersar substâncias de maneira mais controlada, ainda pode representar um risco potencial para a fauna e flora, além de afetar a saúde das populações que vivem próximas a áreas agrícolas.

A questão da competência legislativa também não é simples. O PSOL argumenta que o uso de drones para pulverização de agrotóxicos é uma matéria de competência da União, dada sua relevância para a saúde pública e o meio ambiente, questões que transcendem as fronteiras estaduais. A regulamentação uniforme é vista como essencial para evitar disparidades nas práticas adotadas entre diferentes estados, garantindo padrões mais elevados de proteção à população e ao meio ambiente. A divergência entre a União e os estados pode abrir um precedente para outras disputas de competência, o que tornaria ainda mais difícil a implementação de políticas públicas eficazes para o controle da poluição por agrotóxicos no Brasil.

🔴 Próximos Passos
A ADI 7794 será agora analisada pelo STF, que deverá decidir se a norma cearense fere ou não a Constituição, levando em consideração a competência legislativa da União e os princípios fundamentais de proteção ambiental e à saúde pública. A decisão do STF terá repercussões significativas para o uso de tecnologias como drones na aplicação de agrotóxicos em outros estados do Brasil. A expectativa é que, independentemente da decisão, o caso abra um debate mais profundo sobre o equilíbrio entre inovação tecnológica na agricultura e a proteção das pessoas e do meio ambiente.

COMPARTILHE A NOTÍCIA

PUBLICIDADE

Confira Também

Deu no New York Times: A blindagem silenciosa das vacinas na velhice

Ibovespa rompe 166 mil e mercado compra a tese de virada política no Brasil

Ao lado de deputados evangélicos, Ciro assume candidatura ao Governo: “Vou cumprir minha obrigação”

Em dez pontos, Guimarães expõe o mapa de riscos do lulismo em ano pré-eleitoral

Brasília e Ceará entram em ebulição com articulação para Camilo na Justiça; Saiba causas e efeitos

Compromisso zero: a fala de Ivo que tensiona a base de Elmano

Governo puxa de volta 30% do Banco do Nordeste: ajuste técnico ou sinal de mudança maior?

Camilo fora do MEC muda o jogo no Ceará e trava, antes da largada, a estratégia de Ciro para 2026

Ari Neto representa o Brasil no EY World Entrepreneur of the Year™️

Hapvida sinaliza sucessão no comando e redesenha cúpula executiva

Movimentos de Rueda em PE e no CE revelam nova lógica do UPb e reconfiguram o jogo político no Ceará

AtlasIntel revela consenso nacional contra o dono do Banco Master e expõe crise de confiança no sistema financeiro

MAIS LIDAS DO DIA

Fundo Partidário: PL foi o partido que mais recebeu recursos em 2025

Proposta aprovada: dedução integral de gastos educacionais para pessoas com deficiência no IR

Banco Central autorizou transferência de banco a ex-sócio do Master mesmo sob investigação por fraude

Indústria enfrenta crédito caro e restrito com juros como principal obstáculo ao financiamento

LOA 2026 autoriza mais de 85 mil cargos e amplia espaço para concursos públicos

Inflação de 2026 recua para 4,02%, Selic segue projetada em 12,25%

Como antecipado no Focus, Camilo sinaliza saída do MEC para liderar campanha contra Ciro; O que isso importa?

Mercosul, Europa e democracia: o Brasil de volta ao centro; Por Acrísio Sena

A Suprema Corte, a Democracia, a Soberania e a Ética; Por Gera Teixeira