Pensando na disputa de 2020? Que nada, 2022 está bem aí

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Por Fábio Campos
fabiocampos@focuspoder.com.br
Quem está no Governo não gosta de tratar em público das questões políticas e eleitorais futuras. Claro. Porém, quem conhece as entranhas da política e dos políticos sabe muito bem que as conversas acerca do futuro se desenvolvem ao pé da orelha. Portanto, não é apenas a próxima disputa (prefeitos e vereadores em 2020) que está na agenda. 2022, a sucessão estadual, já motiva os movimentos dos profissionais do ramo. Focus acompanha a tudo com atenção.
A visível quebra de gelo entre os Ferreira Gomes e Tasso Jereissati não deve ser vista apenas como um ato de superação de mágoas entre partes que já foram grande aliados, amigos “da vida toda” que, juntos, protagonizaram uma parte muito importante da recente História do Ceará.
Não custa lembrar: o rompimento entre Tasso e Ciro, que parecia a mais improvável das improváveis possibilidades,  não se deu por divergências administrativas ou de fundo político-ideológico. A separação teve cunho político-eleitoral e com imenso peso da conjuntura daquele momento. Foi uma imposição do lulo-petismo que, não sem dor, foi acatada pelos Ferreira Gomes.
Tudo se deu no momento pré-eleitoral de 2010. Tasso esperava o apoio de Cid, então no Governo, e de Ciro. Cid foi emparedado PT. Afinal, derrotar  e impedir a reeleição do tucano para o Senado foi meta a ser alcançada a todo custo pelo próprio Lula. Em um certo momento, Tasso se impacientou com a demora na declaração de apoio do grupo de Cid. Certamente avalou que venceria e se reelegeria sem a este apoio.
A impaciência de Tasso acabou deixando Cid e Ciro livres para tomar o rumo político-eleitoral que, naquele momento, os interessava e era o caminho mais tranquilo para manter e até aumentar a hegemonia política já estabelecida no Ceará. No caso,  marchar com o petismo e, por conseguinte, fazer o duro serviço de derrotar Tasso e eleger a dupla ao gosto do Planalto: Eunício e Pimentel.
Tasso partiu naquela campanha isolado na dianteira. Tinha ainda muito reconhecimento popular. No entanto, o sentimento pró-Lula do eleitorado e a força avassaladora da máquina, atropelaram Tasso no fim daquela campanha. Foi um duro golpe. Depois disso, dores e mágoas. Muitas mágoas.
Hoje, o clima parece ser outro. Não duvidem: já se trabalha com 2022. Não duvidem: Tasso tende a disputar novamente a eleição de senador. Não duvidem: o apoio dos Ferreira Gomes lhe seria muito bem vindo. Não faltam histórias e trajetórias para explicar a reaproximação ao distinto eleitor.
Mas há uma questão: o segundo mandato de Camilo Santana termina em 2022. O que fará o governador? O caminho natural é disputar a vaga (haverá somente uma) de senador. Mas, contra Tasso? E como vão ficar os Ferreira Gomes diante disso? Não há respostas óbvias; Porém, os sinais estão aí.
Atentem para um ponto: Focus apurou que há estímulos dentro do Palácio da Abolição para que a vice-governadora. Isolda Cela, cidista de carteirinha, dispute uma vaga de deputada federal em 2022. Pois é. Da mesma forma que Camilo, Isolda teria que, meses antes, deixar a função para poder concorrer. Na linha sucessória, há o presidente da Assembleia, que também deve disputar a eleição para o parlamento. Sobraria então para o presidente do Judiciário assumir o Governo em plena campanha. Nome neutro.
E quem seria o candidato a governador dos Ferreira Gomes? O nome óbvio é o de Roberto Cláudio. Com apoio de Tasso? Quem sabe. Com o apoio de Camilo? Quem sabe. E Camilo aceitaria apenas disputar um mandato de deputado federal ou se recolheria para um autoexílio?
Muito embora tenha tido a oportunidade para avançar suas peças após o estrondoso resultado das urnas de 2018, o fato é que o camilismo, até aqui, não se impôs enquanto força política. Por enquanto, por diversas e visíveis cartas colocadas na mesa, quem tem a força de comandar o jogo é a família oriunda de Sobral e seu coeso grupo. O cidismo (ou o cirismo, como queiram) tem o controle do jogo por deter os postos chaves que emparedam o governador.
São águas passando por debaixo da ponte.
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