PT: 2024 exige unidade. Por Ricardo Alcântara

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Ricardo Alcântara é publicitário, escritor e colaborador do Focus. Foto: Divulgação

Em recente entrevista, concedida ao Focus de Fábio Campos, o agora Assessor Especial do governo estadual Artur Bruno fez menção (en passant, como se dizia) ao episódio da eleição de João Dória como candidato a presidente pelo PSDB em 2022, quando o governador paulista venceu as prévias ao custo oneroso de desagregar seu partido para, logo em seguida, rendido à realidade, renunciar à sua postulação porque, ao fim de tudo, se viu sozinho.

Bem entendido o exemplo extremo que Bruno apresentou: uma coisa é obter a maioria simples do diretório votante. Outra, bem diferente, é agregar efetivamente as lideranças principais do partido em torno de seu projeto eleitoral e representar, em sua melhor expressão, as forças políticas que pretendem se aliar à candidatura do partido. O PT terá a primazia de indicá-lo, mas não pode impor aos aliados uma alternativa que os sobrecarregue com dificuldades de defendê-lo em suas bases.

E o Partido dos Trabalhadores – sobretudo aqueles dirigentes com direito a voto – deveriam refletir sobre a perspectiva que Bruno, com sua elegância habitual, colocou a questão. O nome que emergir da escolha deve ser, se há pretensão de vitória, aquele capaz de representar não apenas as características mais genuínas do PT, mas ser capaz igualmente de agregar de modo amplo as forças políticas potencialmente predispostas a apoiar a indicação do partido como expressão sem ruídos dessa unidade.

As eleições de Fortaleza em 2024 serão uma disputa acirrada, digo com base em tudo que tem sido analisado pelos observadores mais antenados. É preciso humildade para compreender que não bastará a presença do presidente Lula em seu palanque para garantir vitória. Um conjunto mais amplo de fatores devem ser agregados para dar à candidatura de centro esquerda uma melhor possibilidade de, em primeiro lugar, chegar ao segundo turno, e chegar com bom percentual de vantagem para fazer frente às forças que certamente se aglutinarão para fraturar a hegemonia dos progressistas no Ceará de hoje.

Por fim, deve ser dito, na perspectiva estratégica do interesse coletivo, que 2024 é importante, mas 2026, ano de sucessão estadual, é muito mais. E aí, cabe antecipar que, do Elmano, se deve esperar gratidão e lealdade, mas ninguém poderá exigir dele que sacrifique a consolidação do amplo arco de alianças que deu a ele uma surpreendente vitória no primeiro turno e será fundamental, quando o governador for ao povo cearense para pedir a oportunidade de dar continuidade a seu governo.

Por tudo isso, e mais ainda pelo objetivo primordial de consolidar a vitória sobre as forças do fascismo no Brasil, é preciso renunciar a pretensões personalistas e até mesmo a algumas tradições partidárias para que Fortaleza possa confirmar sua posição majoritariamente favorável ao fortalecimento da Democracia e ao avanço continuado no combate à pobreza.

Com postura e fala e de candidato, Artur Bruno embaralha mais ainda o jogo do PT

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