
Equipe Focus
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O ministro da Controladoria-Geral da República (CGU), Wagner Rosário, precisou ser repreendido pelo senador cearense Tasso Jereissati (PSDB), que presidia a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da COVID-19.
“O senhor respeite essa casa. Por favor, baixe a bola. Várias vezes o senhor já atacou”, disse Tasso, após o depoente acusou o relator, Renan Calheiros, de mentir durante as perguntas.
Tasso ainda negou a palavra ao também parlamentar cearense Eduardo Girão (Podemos), que tentava interrompê-lo para defender o depoente.
“Não vou dar a palavra, não vou dar. Se pedir a palavra com educação e dentro do regimento, lhe passo a palavra”, Disse Tasso a Girão.
Depoimento conturbado
Wagner Rosário desafiou senadores da CPI a provar que foi omisso na investigação do contrato da Covaxin e discutiu com parlamentares durante diversos momentos do depoimento.
A postura de Rosário levou integrantes da CPI a apontarem contradições na versão do ministro. O chefe da CGU afirmou que o órgão não barrou a aquisição da Covaxin porque verificou que o preço das doses no site da fabricante indiana Bharat Biontech estava em linha com o valor negociado com o Ministério da Saúde.
Além disso, o ministro afirmou que só soube de suspeitas de irregularidades em junho deste ano, após revelação do caso pela imprensa, e que não verificou superfaturamento. Wagner Rosário se ancorou no argumento de que só haveria possibilidade de superfaturamento caso o governo tivesse efetivamente pago a despesa.
“Mostre um documento que mostre que a CGU disse que o contrato era regular, tudo bem, a gente assume”, disse Wagner Rosário para o relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL). “Irregularidades, sim, se o senhor sabia antes, ótimo”, afirmou o ministro em outra ocasião, ao falar que só soube das suspeitas em junho deste ano.
O contrato do Ministério da Saúde com a Precisa Medicamentos para a compra da Covaxin é um dos principais focos da CPI. O processo de aquisição de 20 milhões de doses por R$ 1,6 bilhão foi cancelado após o avanço das investigações. Na semana passada, Omar Aziz acusou Wagner Rosário de prevaricação.
“Não é para comprar água, não, é para comprar a vacina”, disse o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), ao questionar a postura da CGU, nesta terça. “O parâmetro que a CGU utilizou foi o site da empresa. Isso é uma coisa ridícula”, declarou Renan Calheiros, ao criticar a atuação do órgão para verificar os aspectos da contratação.
Outro aspecto questionado foi o sigilo imposto pelo Ministério da Saúde no processo de compra da Covaxin. “Esse sigilo faz parte do processo”, disse o chefe da CGU. “Pelo amor de Deus, ministro…”, rebateu a senadora Simone Tebet (MDB-MS). Os integrantes do grupo majoritário apontaram uma tentativa de Wagner Rosário de blindar o presidente Jair Bolsonaro no depoimento.







