Dólar cai 2,15%, fecha abaixo de R$ 5 e zera alta no mês

COMPARTILHE A NOTÍCIA

Dólar Americano. Foto: Divulgação Pixabay

Equipe Focus
focus@focuspoder.com.br

O dólar à vista caiu mais de 2% na sessão desta terça-feira, 17, e fechou abaixo da linha de R$ 5 pela primeira vez desde 4 de maio, em dia marcado por enfraquecimento global da moeda americana e apetite ao risco no exterior.

Relaxamento do lockdown em Xangai, na China, e indicadores positivos na zona do euro e nos EUA (vendas no varejo e produção industrial) diminuíram temores de que a economia global caminhe para a “estagflação”. Além disso, declarações de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) ao longo do dia reforçaram a perspectiva de nova alta da taxa básica em 50 pontos-base em junho, afastando, por ora, apostas em um ajuste mais rápido e intenso da política monetária nos EUA.

A divisa já iniciou o dia em forte baixa e rompeu o piso de R$ 5 ainda pela manhã, em meio a relatos de entrada de fluxo estrangeiro para a Bolsa e desmonte de posições defensivas no mercado futuro. O dólar acentuou as perdas ao longo da tarde e chegou a ser negociado pontualmente na casa de R$ 4,92, ao registrar mínima a R$ 4,9278, em reação inicial a declarações de Jerome Powell, presidente do BC norte-americano.

Powell afirmou que há “amplo apoio” no comitê de política monetária do Federal Reserve para um novo aumento da taxa de juros em 50 pontos-base. O presidente do BC dos EUA ponderou em seguida, contudo, que a instituição pode ser mais agressiva se a inflação na arrefecer e que não hesitará se tiver que subir a taxa de juros além do nível neutro. “Teremos que reduzir crescimento para controlar a inflação”, disse.

Em relação ao tom incisivo de Powell a respeito da inflação, a moeda norte-americana reduziu o ritmo de baixa lá fora. Por aqui, o dólar retornou momentaneamente ao patamar de R$ 4,95, embora ainda em queda firme. No fim da sessão, a divisa era cotada a R$ 4,9429, perda de 2,15%. Com isso, o dólar zerou a alta no mês. A baixa em 2022 voltou a ser de dois dígitos (11,35%).

“A fala de Powell reforçou o comunicado da última decisão, de aumentos de 50 pontos-base e comprometimento com o combate à inflação. Ele disse também que pode aumentar os juros acima do nível neutro, que ainda não está definido por conta da incerteza global”, afirma o economista Matheus Pizzani, da CM Capital, para quem a ênfase de Powell no combate à inflação deixa a porta ainda aberta para aceleração do aperto monetário nos EUA, com alta de 75 pontos-base após a reunião de junho.

No exterior, o índice DXY – que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis divisas fortes – trabalhou em queda ao longo de todo dia e registrou mínima aos 103,411 pontos, em correção após a recente escalada.

As perdas mais pesadas foram contra a libra esterlina e o euro, em meio a declarações duras de dirigentes do Banco Central Europeu (BCE) e à alta de 0,3% do PIB da zona do euro no primeiro trimestre (na margem), levemente acima das expectativas (0,2%). Na comparação anual, houve expansão de 5,1%, ante expectativa de 5%.

O head da Tesouraria do Travelex Bank, Marcos Weigt, ressalta que a alta das taxas dos Treasuries e a inclinação positiva da curva de juros americanas (com as taxas longas acima das curtas) mostram apetite ao risco e diminuição dos temores em relação ao crescimento americano e global. “Os dados dos EUA de vendas no varejo e da produção industrial foram positivos. E a China está saindo do lockdown. Isso deu ânimo para o mercado. As bolsas estão subindo e o dólar perdendo força”, diz Weigt.

O tesoureiro do Travelex pondera que, a despeito do alívio nesta terça, “a insegurança com o crescimento global se mantém” e pode ensejar novas ondas de fuga de ativos de risco. O real ainda se beneficia do patamar taxa de juros doméstica e dos preços elevados das commodities, mas terá seu fôlego limitado pela perspectiva de que a moeda americana siga forte no exterior, avalia. “O dólar pode cair para R$ 4,90 ou até R$ 4,80, mas já não dá para esperar que vá para R$ 4,60, porque o cenário no mundo está mais difícil e o dólar deve continuar a se valorizar lá fora”, afirma Weigt.

Agência Estado

COMPARTILHE A NOTÍCIA

PUBLICIDADE

Confira Também

Fortaleza domina Enem 2025: capital ocupa as 3 primeiras posições do BR e tem 4 escolas entre as 10 melhores

Ibmec chega a Fortaleza e firma Ceará como polo nacional de educação, inovação e negócios

Pesquisa Atlasintel Piauí 2026: eleição praticamente resolvida a favor do PT

Pesquisa Focus Poder/Atlasintel explica decisão de Ciro e PSDB de manter distância de Flávio

PSD dos “Domingos” leva Comissão de Orçamento do Congresso e reforça musculatura para a vice no Ceará

Focus/Atlasintel: Lula abre larga vantagem no Ceará e reforça ativo eleitoral de Elmano para 2026

Pesquisa Focus/Atlas para o Senado Ceará: Cenários embolados com Cid favorito; sem sua candidatura, Luizianne salta

Pesquisa Focus Poder + Atlasintel: Ciro e Elmano empatam na corrida ao Governo

UFC entra no Top 15 nacional de patentes e reforça posição como polo de inovação

Governo do Ceará: Pesquisa Focus Poder/AtlasIntel será divulgada nesta segunda-feira

PIX vira vitrine global: fundador do Web Summit diz que sistema brasileiro “destrói monopólios” e inspira o mundo

Em meio à batalha judicial, Eneva e Diamante iniciam investimento de R$ 6 bi em energia e infraestrutura no Pecém

MAIS LIDAS DO DIA

Latam encerra voos de Fortaleza para Miami e Santiago e amplia operação para Lisboa

Governo quer aumentar limite de faturamento do MEI e permitir até dois funcionários

Fechamento de quatro fábricas de calçados deixa 528 trabalhadores desempregados no Ceará

Governo mantém alta de tarifas para elétricos, mas libera cota de importação sem imposto

A aposta do Ibmec no capital humano cearense

Cerco da PF e MP amplia pressão sobre ex-prefeito de Choró; Filho foi preso

Soberania de fantasia: Rio anunciou uma IA própria e os chineses a desmascararam; por Machidovel Trigueiro Filho

Fortaleza. Beira Mar

Estudo da UFC aponta que esgoto no mar de Fortaleza também contamina o ar da orla

Vídeos: Michelle faz ataque frontal a Ciro Gomes e transforma Ceará no epicentro da crise do bolsonarismo