Após recordes, Ibovespa inicia ano em baixa de 1,11%, aos 132,6 mil pontos

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Bolsa de Valores. Foto: Freepik

O Ibovespa iniciou o ano novo em baixa após ter renovado máximas históricas de fechamento em sete das últimas dez sessões de 2023. Hoje, o índice da B3 oscilou dos 132.094,61 (-1,56%) aos 134.194,94, na máxima do dia, saindo de abertura aos 134 185,58 pontos. Ao fim, mostrava nesta terça-feira perda de 1,11%, aos 132.696,63 pontos, com giro financeiro a R$ 19,7 bilhões. Em Nova York, o desempenho dos principais índices de ações neste primeiro dia útil de 2024 ficou entre -1,63% (Nasdaq) e +0,07% (Dow Jones).

Mais cedo, e até o meio da tarde, os carros-chefes das commodities na B3 – Vale e Petrobras – eram a exceção positiva nesta abertura de ano entre as ações de maior peso e liquidez. Em nota, a Guide Investimentos aponta que o minério reagiu positivamente a novas promessas de estímulo econômico pelo governo chinês, assim como a dados de atividade melhores no país asiático.

Por sua vez, os preços do petróleo – que mudaram de direção e se firmaram em baixa ao longo da tarde – a princípio avançavam na sessão, com a notícia de que o Irã enviou um navio de guerra para a região em resposta ao afundamento de três barcos da milícia Houthi, do Iêmen, por forças militares dos Estados Unidos, no Mar Vermelho. Assim, após terem chegado a subir cerca de 2% no ponto mais alto do dia, os contratos futuros de petróleo fecharam com perdas perto de 1,5% para o Brent de março, e de 1,8% para o WTI de fevereiro, refletindo o fortalecimento do dólar. Aqui, a moeda americana à vista subiu 1,29%, a R$ 4,9158, nesta terça-feira, o que se refletiu também na curva de juros futuros, em alta na sessão.

Ao fim, Petrobras ainda sustentava ganhos (ON +0,97%, PN +1,45%) a despeito da mudança de sinal do petróleo em Londres e Nova York, enquanto Vale esmorecia, encerrando o dia em baixa de 0,19%, o que contribuiu para a acentuação de mínimas no Ibovespa, do meio para o fim da tarde. Em porcentual, a queda do Ibovespa na sessão foi a mais aguda desde a perda de 1,29% em 27 de outubro passado.

Na ponta ganhadora do índice nesta terça-feira, destaque para Pão de Açúcar (+3,20%) e CSN Mineração (+1,64%), à frente das duas ações da Petrobras, e de Raízen (+1,24%), JBS (+1,04%), Vibra (+0,92%), BB Seguridade (+0,71%) e Ultrapar (+0,26%). Apenas esses nove papéis, dos 87 que constituem a carteira do Ibovespa para o período janeiro-abril de 2024, subiram nesta sessão inaugural. No lado oposto, Azul (-8,18%), Alpargatas (-8,00%), Locaweb (-7,32%), Gol (-6,91%) e Eztec (-6,58%).

“O dia foi de realização de lucros depois da forte alta de dezembro. É normal ter um início de ano com um pouco mais de acomodação, em um dia de maior cautela aqui como também no exterior em relação aos próximos passos, ao que tem para vir aí pela frente, especialmente no exterior. Assim, a alta dos rendimentos dos Treasuries, na sessão, acabou pressionando também os ativos de renda variável como ações”, diz Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos, destacando a forte agenda de indicadores na semana, especialmente o relatório oficial sobre o mercado de trabalho americano, na sexta-feira.

No contexto doméstico, o Ibovespa acentuou a realização de lucros nesta primeira sessão do ano a partir do meio da tarde, pouco depois, também, de o relator da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2024, deputado Danilo Forte (União-CE), ter emitido nota em que critica a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de vetar trechos da regra orçamentária, entre os quais o cronograma de pagamento de emendas parlamentares.

“Recebi com preocupação os vetos anunciados, uma vez que afetam o grande objetivo da LDO de minha relatoria, que é conferir um nível maior de previsibilidade, transparência e de execução do Orçamento Federal”, disse Forte, na nota divulgada à imprensa.

O veto presidencial ocorre em momento delicado na relação entre Planalto e Congresso, após o governo ter proposto, no apagar das luzes de 2023, por Medida Provisória (MP), uma solução contrária à prorrogação da desoneração da folha de pagamento de 17 setores da economia até 2027, após Senado e Câmara terem mostrado força e derrubado veto de Lula que encerrava o benefício – em meio a iniciativas da Fazenda para recompor receitas, visando ao cumprimento da meta de déficit fiscal zero em 2024.

“Internamente, o mercado está de olho também na MP da Compensação, que não agradou aos parlamentares. Haddad já avisou que, caso o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco devolva a MP, vai acabar judicializando a questão, o que é ruim. Mais um motivo para esse dia que tivemos, de realização de lucros”, diz Moliterno, da Veedha.

“O Ibovespa pegou uma tração de queda mais forte à tarde, nesse primeiro pregão do ano. Na sexta-feira, quando não houve negócios na B3, já prevalecia nos mercados internacionais um ceticismo maior sobre o crescimento da economia global – principalmente, Estados Unidos -, enquanto a crise no mercado imobiliário chinês também volta à atenção dos investidores”, diz Gabriel Mota, operador de renda variável da Manchester Investimentos.

“Nada, por enquanto, tão relacionado a Brasil, que refletiu hoje essa aversão que vem de fora”, acrescenta o operador, observando também que, mais cedo, tanto Vale como Petrobras contribuíam para segurar um pouco a Bolsa, amenizando as perdas do Ibovespa, que se agravaram com a guinada da mineradora – a ação de maior peso no índice – para baixo.

Agência Estado

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