A Substância nos mostra uma Hollywood monstruosa que não sabe quando parar

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Foto: Divulgação

Assistir a A Substância é ter a satisfação de dizer: “Agora eu já vi de tudo”. Dirigido pela talentosa Coralie Fargeat, o trabalho narra o declínio de uma artista consagrada. Mesmo com uma estrela na calçada da fama e um Oscar em sua coleção, ela é relegada à sombra quando produtores (mais velhos) percebem que ela não se encaixa mais nos padrões de beleza, devido ao inexorável avanço de sua idade.

Em seguida, após um acidente de carro, a personagem, vivida pela sempre carismática Demi Moore, encontra um mecanismo insólito que faz surgir outra mulher de dentro de si, literalmente. Consequentemente, essa figura compartilha os mesmos talentos e determinação para lucrar pela beleza. 

Entretanto, o relacionamento entre as duas, que evoca o dilema do “homem duplicado” de José Saramago, deteriora-se progressivamente. A falta de respeito pelas eventuais diferenças culmina em um confronto violento, onde a busca por respostas se transforma em tortura mútua — tanto física quanto psicologicamente.

A partir disso, a narrativa se transforma em uma montanha-russa rumo ao inferno, onde os limites da dor e do sofrimento são explorados de maneira que deixaria qualquer diretor especializado em horror corporal boquiaberto.

Consequentemente, a obra homenageia David Cronenberg, uma referência incontestável do gênero, trazendo à tona elementos de seus filmes, como A Mosca e Enraivecida na Fúria do Sexo. Mas não só este é citado: clássicos como O Iluminado, Carrie, a Estranha e 2001: Uma Odisseia no Espaço ganham vida aqui também.

A vantagem é que o roteiro trabalha com as citações como um meio de continuar contando a história. Felizmente, o filme não é interrompido constantemente por uma necessidade de exibicionismo por parte da diretora, que entende como usar tais peças para avançar a narrativa, e não o contrário. 

Foto: Divulgação

O Oscar vem aí?

No que diz respeito ao elenco, Demi Moore entrega uma performance rica em nuances dramáticas, enquanto Margaret Qualley, apesar de sua carreira ainda incipiente, brilha intensamente, revelando um talento tão impressionante quanto sua beleza singular.

Em suma, A Substância é um terror que busca não apenas assustar, mas também provocar reflexão, como todo bom horror deve. Com suas doses cavalares de sangue e uma discussão política urgente e necessária, é lamentável que o gênero seja frequentemente marginalizado, impedindo muitos de vivenciarem experiências poderosas e transformadoras como essa. 

É uma pena.

Confira o trailer:

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