Banco Central eleva Selic para 14,25%, maior nível desde 2016, e juros batem recorde sob gestão de indicado por Lula

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Foto: Agência Brasil

O que aconteceu?

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) elevou a taxa básica de juros (Selic) de 13,25% para 14,25% ao ano nesta quarta-feira (19). Com isso, a Selic atinge o maior patamar desde outubro de 2016, marcando um recorde sob a gestão de Gabriel Galípolo, indicado por Lula para comandar o BC.

O aumento de 1 ponto percentual foi o quinto consecutivo no atual ciclo de alta iniciado em setembro de 2024. Apesar disso, o Copom indicou que as próximas elevações devem ser de menor magnitude, caso o cenário inflacionário evolua conforme o esperado.

Juros recordes e o discurso de Lula

A decisão expõe uma contradição política para o governo. No primeiro ano de mandato, Lula culpava os juros altos, sob o comando de Roberto Campos Neto (indicado por Bolsonaro), pelos entraves na economia. Agora, o maior nível da Selic desde 2016 acontece com um presidente do BC escolhido por Lula.

Mesmo com a troca de comando, a inflação persiste acima da meta, e o próprio BC vê risco de desancoragem das expectativas – ou seja, o mercado teme que a alta dos preços se prolongue, justificando a necessidade de manter os juros elevados.

O que disse o governo?

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, minimizou a decisão do BC, alegando que a alta já era esperada:

“Esse aumento, na verdade, é um guidance do final do ano passado. O presidente do Banco Central disse em entrevista coletiva que o guidance ia ser observado.”

Apesar da tentativa de normalizar a alta da Selic, o aperto monetário coloca obstáculos na estratégia do governo, que busca estimular o crescimento econômico e destravar investimentos.

Por que os juros subiram?

O Copom justificou a decisão citando a resiliência da inflação, especialmente no setor de serviços. Entre os principais fatores apontados pelo BC para a manutenção dos juros elevados, estão:

Inflação acima da meta: Os preços seguem pressionados, principalmente nos serviços.
Câmbio desvalorizado: O real enfraquecido encarece importações, impactando a inflação.
Cenário global instável: O Federal Reserve (Fed), banco central dos EUA, manteve os juros entre 4,25% e 4,50%, mas citou incertezas na economia global, o que influencia a política monetária brasileira.

Vá mais fundo

📉 Impacto econômico: A Selic em patamares elevados encarece o crédito e pode frear o consumo e os investimentos.
🏦 Autonomia do BC: Apesar da troca de comando, a política monetária segue uma linha de atuação técnica.
📊 Inflação e mercado: O Banco Central monitora os efeitos da Selic, mas o mercado segue atento ao comportamento dos preços e das expectativas.

A decisão do Copom reforça o embate entre governo e Banco Central: Lula trocou o comando da autoridade monetária, mas a política de juros altos segue inalterada.

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