
“Eles compraram a ilha de Manhattan dos índios, pelo valor 60 florins; ela mede 11 mil morgens”, Peter Schagen em relatório à Companhia das Índias Ocidentais
[Em lembrança da cordial cumplicidade de José Agamenon Bezerra da Silva e das nossas visitas a Barnes&Nobles, bookstore…]
Paulo Elpidio
Minha iniciação nos misterios de Manhattan seguiu etapas de reiteradas tentativas bem sucedidas. Vivi naquela peninsula as aventuras de descoberta de turista curioso.
A meia viagem, nessas caminhadas por algumas trilhas já conhecidas, descobri que a Revista New Yorker nascera nas imediações de um velho e cativante hotel na 44th street– o Algonquin.
Dorothy Parker faria do Salão Oak Room lugar de reunião da editoria do New Yorker e ponto de convergência intelectual ao final da tarde. Por esse tempo, “Mathilde”, substituíra “Hamlet” na privacidade da “loggia” no midtown Manhattan. Explico-me melhor. Mathilde eram as gatas, Hamlet, os gatos de uma estirpe de felinos acolhidos desde que Johnny Barrimore frequentava o Algonquin…,
Seduzido pela insistência de Pedro Henrique Saraiva Leão, meu alterego novaiorquino, fiz reserva para um quartinho sem luxo e lá me pus hóspede, com a cumplicidade de Zuleide e a companhia de Martinha.
O bar regurgitava quando me acomodei em uma mesa mínima de casal. O clima dominante, intelectual, era acentuado com gravatas e saias rodadas e o corte chanel resistente ainda naqueles anos 80. Despachei as senhoras dando-lhes as indicações mais atraentes da Fifth Avenue e esperei pelo “happy hour” anunciado. Os figurantes habituais foram chegando em pequenos grupos, com o alarido das primeiras libações vespertinas.
Ao toque de uma campaínha sobre a mesa, veio, solícito, o garçom.
Perguntei-lhe, confundido, trocando as palavras, com ares de embarcadiço recém-chegado, se havia nas provisões do bar White Horse”, (o mais popular dos scotchs escoceses…).
Ele, com um certo ar de superioridade, circunspecto, medindo impiedosamente a minha ignorância:
” All the licquors, sir! All of them!”
Tornei-me assim, a duras penas e árduas lides — um novaioquino!
[A indagação canhestra dirigida ao garçom, justifico-me agora, provinha de hábito adolescente, pleno de prudência, hão de concordar comigo, quando as nossas fantasias tropeçam na limitação dos trocados da mesada de algibeira…]







