
O fato: A caderneta de poupança voltou a registrar saída líquida de recursos em abril e aprofundou o movimento de retirada observado ao longo de 2026. Segundo dados divulgados pelo Banco Central, os saques superaram os depósitos em R$ 476,4 milhões no mês, mantendo a sequência negativa pelo quarto mês consecutivo.
O resultado reforça a perda de atratividade da aplicação mais tradicional do país em um cenário de juros elevados, maior busca por rentabilidade e inflação ainda pressionando o orçamento das famílias.
Saída acumulada: De acordo com o Banco Central, os brasileiros depositaram R$ 362,2 bilhões na poupança em abril, enquanto os saques alcançaram R$ 362,7 bilhões. Apesar dos rendimentos creditados de R$ 6,3 bilhões, o saldo líquido permaneceu negativo.
Nos quatro primeiros meses de 2026, a retirada acumulada já soma R$ 41,7 bilhões. O volume mantém a tendência de fuga de recursos observada nos últimos anos.
Em 2023, a saída líquida da poupança chegou a R$ 87,8 bilhões. Em 2024, o saldo negativo ficou em R$ 15,5 bilhões. Já em 2025, o resultado acumulado voltou a piorar, atingindo R$ 85,6 bilhões.
Atualmente, o saldo total aplicado na modalidade permanece acima de R$ 1 trilhão.
Juros altos: O principal fator por trás da perda de recursos continua sendo o patamar elevado da taxa Selic, que aumenta a atratividade de aplicações financeiras com maior rentabilidade, como títulos públicos, CDBs e fundos de renda fixa.
Na reunião mais recente do Comitê de Política Monetária (Copom), o Banco Central reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, fixando a taxa básica de juros em 14,5% ao ano. Mesmo com o início do ciclo de cortes, os juros seguem em nível elevado, mantendo forte concorrência sobre a poupança.
Além de reduzir o consumo e conter a inflação, a Selic alta estimula investimentos financeiros mais rentáveis, o que pressiona ainda mais a migração de recursos da caderneta.
Inflação e custo de vida: Outro fator que influencia o aumento dos saques é o impacto da inflação sobre o orçamento doméstico. Em março, o IPCA avançou 0,88%, puxado principalmente pelos grupos de transportes e alimentação. Em fevereiro, a alta havia sido de 0,7%.
No acumulado de 12 meses, a inflação oficial do país está em 4,14%, acima do centro da meta perseguida pelo Banco Central.
O cenário combina perda de poder de compra, maior custo de vida e busca por aplicações financeiras mais vantajosas, pressionando a poupança mesmo após o início da redução gradual dos juros no país.






