No fim das contas, Quaest expõe país dividido e consolida Nordeste como fortaleza de Lula.
A nova rodada da pesquisa Quaest para a eleição presidencial de 2026 desenha um mapa político cada vez mais regionalizado no Brasil. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém ampla vantagem no Nordeste, enquanto Flávio Bolsonaro avança no Sul e disputa voto a voto os maiores colégios eleitorais do país.
O levantamento divulgado nesta quarta-feira (6) ouviu eleitores em dez estados e revela uma disputa nacional fragmentada, marcada por empates técnicos em regiões estratégicas e forte influência das identidades regionais.
Nordeste segue amplamente lulista
Lula aparece com desempenho dominante nos três estados nordestinos pesquisados:
- Pernambuco: 53%
- Ceará: 50%
- Bahia: 49%
No Ceará, o petista abre 27 pontos sobre Flávio Bolsonaro (23%), repetindo um padrão histórico de forte identificação do eleitor nordestino com o lulismo. Pernambuco registra a maior vantagem da pesquisa: 34 pontos.
A Bahia também mantém ampla margem pró-PT, embora o número de indecisos e eleitores que declaram voto branco ou nulo já some 24%, sinalizando espaço para movimentação futura da campanha.
Sul e Sudeste mostram disputa apertada
Nos maiores centros eleitorais do país, o cenário é de polarização intensa.
Em São Paulo, Flávio Bolsonaro lidera numericamente com 34%, contra 31% de Lula. No Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul, os dois aparecem tecnicamente empatados dentro da margem de erro.
São Paulo
- Flávio Bolsonaro: 34%
- Lula: 31%
Rio de Janeiro
- Flávio Bolsonaro: 31%
- Lula: 29%
Rio Grande do Sul
- Flávio Bolsonaro: 31%
- Lula: 29%
O Paraná é o estado mais favorável ao bolsonarismo no levantamento. Flávio Bolsonaro chega a 38%, enquanto Lula marca 23%.
Goiás revela força regional de Caiado
A principal exceção à polarização PT x Bolsonaro aparece em Goiás. O governador Ronaldo Caiado lidera com 31%, superando Flávio Bolsonaro (25%) e Lula (20%).
O resultado indica que candidaturas regionais podem ganhar musculatura em estados específicos, sobretudo onde há lideranças locais consolidadas.
Pará e Minas expõem equilíbrio nacional
Dois estados simbolizam o retrato mais competitivo da disputa:
Pará
- Lula: 35%
- Flávio Bolsonaro: 32%
Minas Gerais
- Lula: 33%
- Flávio Bolsonaro: 27%
- Romeu Zema: 11%
Minas chama atenção pelo desempenho de Romeu Zema, que alcança dois dígitos e pode influenciar diretamente o equilíbrio do eleitorado de centro-direita.
Indecisos ainda representam bloco decisivo
Outro dado relevante da Quaest é o elevado percentual de indecisos e eleitores que afirmam votar branco ou nulo.
Em alguns estados, esse contingente ultrapassa 25%:
- Rio de Janeiro: 30%
- Rio Grande do Sul: 29%
- Bahia: 24%
- Pará: 23%
O número revela que, apesar da forte polarização, a corrida presidencial ainda está longe de consolidada.
Leitura política
A pesquisa sugere um país dividido em três grandes zonas eleitorais:
- Nordeste amplamente favorável a Lula;
- Sul mais alinhado ao bolsonarismo;
- Sudeste e Norte em disputa competitiva.
O cenário também reforça a permanência da polarização entre PT e bolsonarismo, mas aponta sinais de espaço para candidaturas alternativas regionais, especialmente com Caiado em Goiás e Zema em Minas.
Mais do que medir intenções de voto, a Quaest revela que a eleição de 2026 começa a ganhar contornos de uma disputa territorializada, em que identidade regional, força local e rejeição acumulada terão peso decisivo na construção do mapa eleitoral brasileiro.








