Entenda o caso – No primeiro evento público como presidente do TSE, o ministro Nunes Marques afirmou que a Justiça Eleitoral se prepara para enfrentar deepfakes, desinformação e ataques ao sistema eleitoral nas Eleições 2026. A fala ocorreu no seminário “Inteligência Artificial nas Eleições 2026”, em Brasília.
Por que isso importa
A eleição de 2026 não será disputada apenas em palanques, debates e propagandas tradicionais. Ela também será travada no ambiente digital, onde vídeos falsos, áudios manipulados, montagens realistas e conteúdos fabricados por IA podem circular em velocidade muito superior à capacidade de resposta institucional.
O risco é simples e grave: o eleitor pode ser exposto a uma informação falsa no momento decisivo da formação do voto.
Vá mais fundo
Nunes Marques alertou que a transformação digital atinge diretamente a formação da vontade popular. Segundo ele, o eleitor passou a ser interpretado também como conjunto de dados, preferências presumidas, vulnerabilidades emocionais e probabilidades de reação.
Esse é o ponto mais sensível: a IA não atua apenas produzindo conteúdo falso. Ela pode ajudar a segmentar mensagens, explorar medos, testar reações e impulsionar narrativas feitas sob medida para grupos específicos.
O problema das deepfakes
Deepfake não é apenas uma “fake news com imagem”. É uma falsificação audiovisual com aparência de realidade. Pode simular voz, rosto, fala, gesto e contexto.
Em uma eleição, isso pode gerar danos concretos: atribuir fala falsa a candidato, criar escândalo inexistente, manipular episódio público, atacar a credibilidade de instituições ou espalhar dúvida sobre o sistema de votação.
O recado institucional do TSE
A Justiça Eleitoral sinaliza que a integridade do voto dependerá de três frentes: tecnologia, fiscalização e resposta rápida.
O TSE já trata o combate à desinformação como prioridade desde 2018 e aprovou regras sobre uso de IA em propaganda eleitoral, incluindo restrições a conteúdos falsos, manipulados ou descontextualizados.
Impacto para o cidadão comum
Para o eleitor, o alerta é direto: em 2026, ver não será necessariamente acreditar.
Um vídeo muito bem produzido pode ser falso. Um áudio aparentemente autêntico pode ser manipulado. Uma fala atribuída a alguém pode nunca ter existido.
A disputa eleitoral entrará em uma fase em que educação midiática, checagem de fonte e cautela antes de compartilhar serão atitudes de cidadania.
Leitura Focus Poder
A eleição de 2026 tende a ser o primeiro grande teste nacional brasileiro em um ambiente de IA generativa mais popularizada, barata e acessível.
A grande questão não será apenas remover conteúdo falso depois que viraliza. Será impedir que a mentira produza efeito político irreversível antes da checagem chegar ao eleitor.






