
O fato: O Brasil não deve atingir a maior parte das metas de controle de doenças crônicas não transmissíveis até 2030. A conclusão é de estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que será publicado na revista científica The Lancet Regional Health – Americas.
Tendência: Enquanto indicadores como tabagismo e consumo de bebidas açucaradas estão em queda, obesidade, diabetes, hipertensão e consumo abusivo de álcool seguem em alta e devem piorar até o fim da década.
Projeções: Os pesquisadores estimam que, até 2030:
- quase 1 em cada 3 brasileiros terá obesidade;
- mais de 10% da população terá diabetes;
- mais de 25% terá hipertensão;
- o consumo abusivo de álcool subirá de 18,8% para 21,3%.
Impacto: As doenças crônicas não transmissíveis já respondem por mais de 54% das mortes no país, sendo quase 40% delas prematuras, entre pessoas de 30 a 69 anos.
Dados: O estudo analisou informações do Vigitel, sistema do Ministério da Saúde, com base em 643 mil adultos entrevistados entre 2009 e 2023 nas capitais e no Distrito Federal.
Tabaco e álcool: O tabagismo deve cair para cerca de 4,7% até 2030, superando a meta. Já o consumo abusivo de álcool preocupa, especialmente entre mulheres, onde houve alta de 51% entre 2009 e 2023.
Alimentação: O consumo de ultraprocessados aparece como um dos principais fatores associados ao aumento da obesidade. Já o consumo de frutas e hortaliças segue abaixo do recomendado.
Contexto: O estudo avalia o Plano de Ações Estratégicas do Ministério da Saúde para doenças crônicas, lançado em 2021, e aponta dificuldades para o cumprimento das metas.
Avaliação dos pesquisadores: Os autores afirmam que as projeções não são inevitáveis, mas refletem a ausência de políticas públicas mais robustas e integradas para alimentação, álcool e obesidade.






