
O fato: Empresas industriais brasileiras esperam recorrer mais ao crédito nos próximos meses para manter o fluxo de caixa e custear despesas operacionais. Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que 45% dos empresários projetam aumento do endividamento bancário no período.
Juros elevados: Segundo a CNI, a expectativa está relacionada ao ambiente de juros ainda elevados. Apesar dos cortes recentes na Selic, o custo do crédito continua pressionando o capital de giro das empresas.
De acordo com a analista de Políticas e Indústria da entidade, Maria Virginia Colusso, o juro real permanece em patamar considerado restritivo, dificultando o acesso a financiamentos mais baratos.
Mais demanda por crédito: A pesquisa aponta que 51% das empresas esperam ampliar a contratação de crédito com contas a receber como garantia. No financiamento de estoques, 48% projetam maior necessidade de recursos, enquanto 59% pretendem recorrer mais a operações voltadas ao pagamento de fornecedores.
Em todas essas modalidades, uma parcela significativa dos empresários também espera aumento das taxas de juros nos próximos meses.
Impacto nas empresas: Para a CNI, a combinação entre maior endividamento e crédito mais caro tende a pressionar a rentabilidade dos negócios e reduzir a capacidade de investimento.
O estudo mostra que 64% dos industriais esperam queda na margem líquida das empresas. Diante desse cenário, 51% pretendem reajustar preços para compensar o aumento dos custos financeiros.
Reflexos na economia: Na avaliação da entidade, a manutenção de juros elevados por um período prolongado pode reduzir o ritmo de investimentos, afetar a competitividade da indústria e limitar o crescimento econômico.
A CNI alerta ainda que o encarecimento do crédito tende a impactar emprego, renda e expansão da atividade industrial nos próximos meses.






