Imóvel irregular: um risco que vai além da documentação; Por Lara Praça

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Para muitas empresas, os imóveis representam uma parcela relevante do patrimônio construído ao longo dos anos. No entanto, nem sempre esses ativos recebem a mesma atenção dedicada a áreas como gestão financeira, planejamento estratégico ou governança corporativa. Quando questões documentais são negligenciadas, o imóvel pode deixar de cumprir plenamente seu papel como instrumento de segurança, valorização e geração de oportunidades para o negócio.

Essa realidade é mais comum do que se imagina. Segundo o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, cerca de 60% dos imóveis brasileiros não possuem sequer documentação em cartório. Embora esse cenário seja frequentemente associado às dificuldades enfrentadas por pessoas físicas, seus impactos vão muito além do ambiente residencial e atingem diretamente o universo empresarial.

Quando falamos em imóveis irregulares, é comum que a discussão se concentre em aspectos jurídicos, como a impossibilidade de vender, financiar ou transferir um bem. No entanto, para empresas, a questão precisa ser analisada sob uma perspectiva mais ampla. Um imóvel com documentação inconsistente representa também um risco patrimonial, financeiro e estratégico.

Na prática, um ativo imobiliário irregular perde liquidez. Em operações de crédito, por exemplo, a documentação inadequada pode inviabilizar a utilização do imóvel como garantia. Em processos de expansão, fusões, aquisições ou reestruturações societárias, pendências documentais frequentemente geram atrasos, custos adicionais e insegurança para investidores e parceiros.

A irregularidade também dificulta a formação de um retrato patrimonial confiável da empresa. Em um ambiente corporativo cada vez mais orientado por governança, compliance e gestão de riscos, possuir ativos sem a devida regularização significa conviver com incertezas que podem impactar decisões estratégicas.

A regularização imobiliária não deve ser tratada apenas como uma obrigação burocrática. Trata-se de uma medida de proteção patrimonial e valorização dos ativos. Um imóvel regularizado possui maior segurança jurídica, mais facilidade de negociação e melhores condições para integrar estratégias de crescimento.

Em alguns casos, empresas podem só descobrir problemas documentais quando precisarem realizar uma operação envolvendo seus imóveis. Nesse momento, o que parecia apenas uma pendência administrativa se revela um obstáculo capaz de comprometer prazos e oportunidades.

Nesse contexto, cuidar da regularização dos imóveis é tão importante quanto administrar as finanças ou planejar os próximos passos da empresa. Afinal, somente com a documentação em ordem o patrimônio pode exercer todo o seu potencial como instrumento de segurança, valorização e desenvolvimento para o negócio.

Lara Praça é Advogada, empresária e especialista em regularização documental de imóveis. Sócia-fundadora e CEO da Readi, lidera uma iniciativa pioneira no Ceará que utiliza tecnologia para centralizar e organizar a documentação imobiliária, tornando os processos de regularização mais ágeis e eficientes. Também é CEO do Samir Jereissati Advogados, primeiro escritório de advocacia registrado na OAB Ceará. Pós-graduada em Direito Processual Civil pela Universidade de Fortaleza (Unifor), integra a Comissão de Direito Imobiliário da OAB/CE e atua como diretora do Instituto Brasileiro de Direito Imobiliário no Ceará (IBRADIM/CE).

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